Equipe de TV sofre ameaças durante protesto de caminhoneiros na Bahia


Por Igor Waltz*

02/03/2015


Carro da TV Oeste guinchado após ter pneus furados por manifestantes (Crédito: G1)

Carro da TV Oeste guinchado após ter pneus furados por manifestantes (Crédito: G1)

Uma equipe de reportagem da TV Oeste, afiliada da TV Bahia, sofreu ameaças na última sexta-feira, 27 de fevereiro, por volta das 9h30, enquanto tentava cobrir o protesto de caminhoneiros na BR-242, trecho entre as cidades baianas de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras. O repórter Muller Nunes e o cinegrafista Fernando Correa foram xingados e proibidos de registrar imagens do ato. Além disso, o veículo da equipe teve os pneus esvaziados por manifestantes.

Com as câmaras de ar cortadas, o carro da equipe precisou ser transportado por um guincho para que os profissionais pudessem voltar à redação.

Em nota, a TV Bahia informou que repudia qualquer tentativa de agressão a seus profissionais, que cumprem o dever de informar à sociedade sobre a situação do movimento dos caminhoneiros, que já começa a provocar desabastecimento de produtos e combustíveis em vários pontos do estado.

A empresa ressalta que presta toda assistência a seus profissionais e vai continuar no papel de informar à população sobre o que está acontecendo, as consequências do movimento e as negociações, respeitando o direito à manifestação quando ela é ordeira, pacífica e sempre ouvindo todas as partes do movimento.

Diego Roberti, diretor do Sindicato dos Transportadores de Cargas de Luís Eduardo Magalhães, informou à TV Oeste que eles não estão participando desta greve e não estavam sabendo da tentativa de agressão à equipe de reportagem. O diretor disse que os caminhoneiros têm o direito de se manifestar, mas é contra qualquer tipo de violência.

Os protestos de caminhoneiros em trechos de rodovias da Bahia acontecem desde a manhã de terça-feira, 24 de fevereiro. Nesta sexta-feira, houve interdição de trecho da BR-242 (km-890), na saída para Tocantins, em Luís Eduardo Magalhães, região oeste da Bahia. A pista foi liberada por volta das 10h, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Também houve interdição da pista no trecho da BR-242 onde a equipe de TV sofreu tentativa de agressão.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou que repudia qualquer tipo de violência contra jornalistas e considera que este episódio representa um ataque à democracia e ao exercício da profissão.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) informou que “considera inaceitável qualquer tipo de tentativa de obstruir o trabalho da imprensa, especialmente com o uso de violência. Impedir jornalistas de cumprir sua missão principal de informar é prestar um desserviço a toda a sociedade”.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) emitiu comunicado informando que julga “inaceitável que profissionais de imprensa sejam impedidos de atuar na cobertura de fatos de interesse da sociedade”.

* Com informações da G1 e do Portal Imprensa. 

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