Educação no passado


16/11/2006


     Therezinha Souza Lonzetti

De um tempo em que as escolas públicas eram muito concorridas, a ex-aluna do Instituto de Educação Therezinha Souza Lonzetti lamenta a perda de qualidade do ensino:
— Muitas pessoas da minha geração que hoje são importantes, como o Carlos Heitor Cony, estudaram nessas escolas primárias. Lembro de alunos meus sendo condecorados como almirantes; a formação era a melhor possível.

Para a professora, apesar de todos os problemas que a carreira enfrenta, ainda há muita gente interessada em se dedicar à profissão de educador:
— Temos muitas escolas hoje em dia formando professores para o ensino fundamental e médio, gente que acredita que pode ajudar a elevar o nível social dos outros. Isso é muito bom, mas, para funcionar mesmo, a qualificação é primordial. Os professores do antigo Instituto de Educação gozavam de um grande prestígio devido à formação espetacular.

A formanda da turma de 1946 lamenta que a função de mestre venha perdendo status:
— A profissão está desmerecida. Atualmente, o professor aprende muito pouco sobre a melhor maneira de tratar os alunos. É claro que o comportamento dos estudantes também mudou muito. Antigamente, mesmo sendo de famílias pobres, eles tinham boas maneiras dentro da sala de aula. Mas acho que não se deve comparar, nem exigir nada do mestre de hoje; ele faz o que pode.

Therezinha Lonzetti recorda com bom humor que, quando foi cursar o Normal, as mulheres ainda eram muito discriminadas:
— As mulheres da minha geração não trabalhavam ou dirigiam automóveis. A única coisa que se consentia para uma menina era ser professora.

Como sempre gostou muito de ler e de escrever, Therezinha acha que, se não tivesse abraçado o magistério com tanto gosto, talvez tivesse tentado algo na área de comunicação:
— Mas ninguém da nossa turma virou jornalista, o que eu acho que seria com prazer. Naquele tempo, as mulheres sequer cursavam o Direito. Quando ingressavam na escola de Medicina, eram logo marginalizadas.

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