Edifício da ABI tem vocação para os encontros


09/09/2019


Cláudia Sanches

Nesta manhã de segunda-feira (9), o edifício Herbert Moses, sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), recebeu a visita de 45 alunos do Instituto de Arquitetura e Urbanismo do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (IAU/USP). A visitação faz parte da disciplina Viagem Didática, realizada anualmente pelas turmas do 4º ano da graduação.

Coordenado pela professora Luciana Schenk, o passeio é uma aula prática e complementa os estudos teóricos de sala de aula. A visita foi uma sequência de emoções e descobertas dos estudantes, que consideraram o prédio um verdadeiro tesouro da arquitetura. A professora falou sobre a funcionalidade do estilo modernista, que estimula os encontros e a convivência.

“O nosso curso tem muita ênfase na modernidade brasileira. Esse edifício tem uma importância muito grande para a arquitetura nacional por ser uma grande representação da modernidade. Para se ter uma ideia dessa importância, na época foi convocado um concurso público para sua construção do qual o arquiteto Oscar Niemeyer participou. Os irmãos Marcelo e Milton Roberto venceram o concurso. O edifício foi construído entre 1936 a 1939. O projeto do prédio é muito interessante, foi programado para o trabalho, o lazer, o encontro”, explicou Luciana.

O aluno da graduação Lucas Campana ficou encantado com a localização e a vista do 13º andar do prédio, com a acústica do auditório e com o material com que foi construído o prédio. Mas não escondeu a emoção de estar num lugar em que aconteceram grandes embates históricos.

“Interessante a sensação de estar num lugar que é símbolo da modernidade brasileira, mas também de resistência contra a ditadura. Isso mexeu muito comigo. E nada impede que deixe de ser um lugar de combate nos dias atuais, porque é uma ditadura o que estamos vivendo, ainda que não oficial, mas é”.

Durante visita ao auditório Oscar Guanabarino, a professora destacou a parte técnica do auditório da ABI que encantou os jovens pela acústica perfeita, proporcionada pela tecnologia da construção do prédio. “A caixa do auditório faz uso do vão propiciado pelo 10º andar.  Se tiver um corte do edifício se verificará que o pé direito do auditório conjuga o 9º e 10 andar”, explicou a arquiteta.

O saguão do 9º andar é um espaço para festa, reuniões, comemorações e até velórios. Ali foram velados, no passado, Prudente de Moraes, neto e, mais recentemente, os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Rogério Daflon,.

A estudante Natália Tamanaka, aluna do mestrado e uma das monitoras do projeto, se encantou não só com a arquitetura do prédio, mas com a importância da ABI na história do Brasil, que participou de movimentos como a campanha do Petróleo É Nosso, que resultou na criação da Petrobras, a campanha da Anistia, as Diretas Já e o impeachment do ex- presidente Fernando Collor de Mello. Pode verificar isso no mesmo saguão do 9ª andar onde ela e os demais alunos conheceram a exposição permanente de fotos sobre a história da Casa do Jornalista.

“Olhando as fotos da exposição (do 9º andar), e o Memorial Mário Alves, vejo as visitas dos homens que fizeram parte das lutas do nosso país e me chama muita atenção as diferenças de costumes. Olhe as roupas das pessoas como são tão diferentes de hoje”, explicou apontando para fotos de uma das visitas do então presidente Getúlio Vargas à sede da ABI.

Na biblioteca Bastos Tigre, Luciana mostrou aos alunos uma edição histórica da revista Fatos e Fotos sobre a chegada do homem à Lua. Elogiou o acervo e falou sobre a importância, principalmente para os jovens, de frequentarem as bibliotecas. A professora ainda falou sobre a importância de pesquisar em biblioteca em tempos de Google:

“A pesquisa na internet não substituiu esse tipo de pesquisa que estamos fazendo aqui, em que tocamos nesse acervo de jornais e revistas. Fiquei emocionada com essa manchete da Fatos e Fotos, porque lembrei do meu avô e porque a conquista da lua completou seus 50 anos”.

Os jovens ficaram surpresos com o salão de estar do 11º andar para os associados, que ao longo dos anos recebeu as pessoas para trabalhar, debater política e jogar sinuca em uma das duas mesa de sinuca e das duas de Bilhar Francês (sem caçapa), nos momentos de folga. O funcionário da ABI Robson Ramos, que guiou os visitantes, contou sobre as histórias do maestro e compositor Heitor Villa Lobos, que frequentava a ABI e  jogava nas mesas de bilhar com os companheiros.

Os alunos também destacaram o brise-soleil, o quebra-sol através de persianas de concreto na fachada, como marca da evolução da arquitetura moderna, e ainda, na parte interna do prédio, a distribuição dos balcões e a amplitude dos halls.

“Os artigos do site não refletem, necessariamente, a opinião da Diretoria da ABI”