Cultura e democracia dão Medalha à ABI


08/10/2008


                                                                                            Marcelo Hollanda

            André Durão

 Maurício e Juca Ferreira

Em função dos seus cem anos de dedicação a iniciativas na área da cultura e à defesa da democracia, a Associação Brasileira de Imprensa foi condecorada na noite desta terça-feira, dia 7, na categoria Instituições e Iniciativas Culturais, com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural 2008, em noite festiva no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O Presidente da ABI, Maurício Azêdo, recebeu a comenda das mãos do atual Ministro da Cultura, Juca Ferreira.

O jornalista Gustavo de Lacerda, fundador da ABI, foi citado pelos apresentadores do evento — o ator Sérgio Mamberti, Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, e a atriz Camila Pitanga — como o visionário que criou uma entidade “que hoje é sinônimo das instituições democráticas” e foi determinante na luta pela restauração da liberdade de imprensa e de expressão, direitos violados pela censura imposta pela ditadura militar.

Apesar de veteranos, Camila e Mamberti se enrolaram com o teleprompter e cometeram uma gafe: erraram o sobrenome do Presidente da ABI, que foi chamado de “Alfredo”. Depois de várias tentativas fracassadas de ler corretamente, os apresentadores contaram com a colaboração de um grupo da platéia, que gritou em coro “Maurício Azêdo”. 

O projeto Música no Museu — a maior série de música clássica do Brasil, que abriu as comemorações do centenário da ABI e foi criado há 11 anos pelo empresário carioca Sérgio da Costa e Silva — também recebeu a Medalha do Mérito Cultural, na categoria Iniciativas Culturais.

 Elza Soares

Entrega

A 14ª edição da Medalha da Ordem do Mérito Cultural — cujo tema central este ano foi o centenário de Machado de Assis — condecorou 38 personalidades — nove in memoriam — e 11 grupos artísticos nacionais e internacionais, além de iniciativas e instituições que tiveram destaque pelas suas contribuições na área cultural.

Previsto para começar às 17h30, o evento teve atraso de uma hora. Antes do início das condecorações, Elza Soares, uma das homenageadas, cantou a capella, o Hino Nacional. Mercedes Sosa e os músicos Sérgio Ricardo e Roberto Corrêa, além da Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob a regência do maestro Roberto Tibiriçá, tiveram participações especiais.

O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, foram encarregados da entrega da premiação, no lugar do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Governador Sérgio Cabral Filho. A Assessoria da Presidência justificou a ausência de Lula, explicando que, devido ao mau tempo, a aeronave que o transportaria da Base de Santa Cruz para o Aeroporto Santos Dumont, de onde ele seguiria para o Municipal, não pôde realizar o plano de vôo. O Governador do Rio também não compareceu, mas não justificou sua falta.

Maurício Azêdo lamentou a ausência do Presidente Lula:
— Foi uma noite de destaque para a cultura brasileira, pelo reconhecimento da importância de artistas de grande renome, que, através de suas individualidades, em diferentes pontos do País, expressam sua criatividade e produzem formas culturais muito ricas e fecundas. A iniciativa do Ministério da Cultura foi importante. É pena que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tenha dado a esse acontecimento, de tanta expressão nacional e regional para o Estado do Rio de Janeiro, a importância que ele deveria merecer do Primeiro Mandatário da República.

Estiveram presentes ao evento dezenas de pessoas ligadas aos meios artístico e cultural, como o Presidente da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré; o pesquisador da MPB e produtor Ricardo Cravo Albin; os atores Zezé Motta, Fernanda Montenegro, Suzana Vieira, Antônio Fagundes, Ruth de Souza e Maria Pompeu; os cantores e compositores Altahy Veloso e Nelson Sargento; o fotógrafo Walter Firmo; e as cantoras Beth Carvalho e Vó Maria, viúva de Donga, autor do primeiro samba gravado.

Encontro 

                                Pixinguinha

A festa de entrega da Medalha da Ordem do Mérito Cultural foi um encontro democrático entre diversas correntes artísticas brasileiras em todas as áreas, do teatro ao folclore, da imprensa às organizações que têm colaborado com a difusão da cultura em todo o Brasil.

As primeiras homenagens foram a Machado de Assis e Arthur Azevedo, dois grandes talentos da literatura e da dramaturgia que morreram em 1908 — o primeiro em setembro, o segundo em outubro. Ambos pertenceram à Academia Brasileira de Letras e foram funcionários da Secretaria da Indústria do antigo Ministério da Viação.

Primeiro orador da noite, o novo Ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que pretende dar continuidade aos projetos bem-sucedidos da gestão anterior, quando Gilberto Gil era o encarregado da Pasta:
— Quero hoje aqui reafirmar o nosso compromisso com os cidadãos do País e com os artistas, garantindo as políticas culturais que vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos, para que tornemos irreversíveis as conquistas históricas de toda a nossa sociedade. Nossa ferramenta de trabalho na construção desse novo estágio será fundamentalmente o diálogo. Falo no diálogo no sentido de quem sempre estará aberto a ouvir opiniões, a aceitar críticas e sugestões. Mas também nesse sentido quero compartilhar com todos vocês os desafios desse Ministério daqui para frente.

Ferreira acrescentou que a política cultural do Governo estará concentrada também no cinema e na TV Brasil, cuja grade será recheada de programas de qualidade que assegurem a sustentabilidade dos produtos culturais do País, a fim de desenvolvê-los em condições que os tornem apreciáveis também no exterior.

 Dulcina de Moraes

Destaque

No ato das condecorações na categoria Grã-Cruz, o destaque foi para as premiações de Elza Soares, Mercedes Sosa, Edu Lobo e Carlos Lyra. Na mesma categoria, foi homenageada in memoriam a atriz, diretora e produtora Dulcina de Moraes, criadora, nos anos 50, da Fundação Brasileira de Teatro e até hoje reconhecida como uma das grandes divas da cena nacional.

Comoventes foram as homenagens prestadas a Anselmo Duarte e Leonardo Villar, pelo filme “O pagador de promessas”. Ator e diretor foram aplaudidos de pé.

O Brasil sertanejo e interiorano também esteve presente na festa do Theatro Municipal, com a participação do homenageado Antônio Ribeiro da Conceição, escritor, compositor, poeta, cordelista, ator e cantador conhecido como Bule Bule. Nascido no interior da Bahia e com 40 anos de criação artística, ele encantou a platéia com um número de repente.

Sobre a Ordem

Criada em 1995, por intermédio do Ministério da Cultura, a Ordem do Mérito Cultural tem como objetivo premiar personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram no País por suas contribuições. Até 2006, a premiação, que já homenageou o trabalho de mais de 400 pessoas e entidades, era organizada pelo Palácio do Planalto. No ano passado, a festa da cultura passou a ser itinerante. 

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