Artigo: “Brasil está escrevendo a sua história”


Por Mario Augusto Jakobskind*

16/12/2013


 

“Brasil está escrevendo a sua história

O Brasil está escrevendo a sua história, não só através das investigações da Comissão da Verdade, como pelas ações concretas do Congresso e do Estado. O Presidente João Goulart foi reconhecido oficialmente por ter sido vítima de um golpe ilegal. A sessão da madrugada de 2 de abril de 1964 que deu posse ao Senador Ranieri Mazzilli  foi reconhecida como ilegal, porque o Presidente constitucional, João Goulart, encontrava-se em território brasileiro.

A sessão em questão foi tramada para que os golpistas obtivessem o reconhecimento internacional, sendo o governo dos Estados Unidos, então sob a Presidência de Lyndon Johnson, o primeiro a fazer isso.

Nesta quarta-feira, 18 de dezembro, será realizada um sessão histórica que dará posse simbólica ao Presidente constitucional João Goulart. Agora, como próxima etapa, algum parlamentar, talvez os próprios Senadores Pedro Simon e Randolfe Rodrigues, autores do projeto que reconheceu como ilegal a sessão de 2 de abril de 1964, deveriam apresentar a continuidade do que foi decidido.

A justificativa é cristalina: já que a sessão foi ilegal, o que aconteceu posteriormente, ou seja, a posse dos generais presidentes de plantão, também foi ilegal.

Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo usurparam o poder e não podem ser considerados Presidentes, como os demais eleitos pelo povo. Seus nomes devem ser excluídos, não só das galerias presidenciais, colocados como ditadores, bem como das ruas, escolas e e demais logradouros públicos em todo o país.

No caso das escolas, a exclusão dos nomes deve ser explicada aos alunos. Uma aula prática de história, portanto. Não tem absolutamente sentido, por exemplo, que a Ponte Rio-Niterói continue recebendo a denominação de Costa e Silva e assim sucessivamente.

Não tem sentido também os generais de plantão pós 64 estarem ao lado de figuras históricas como Juscelino Kubitshek, Getúlio Vargas, Jânio Qadros, João Goulart e os presidentes mais atuais como Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Collor, Itamar Franco e Dilma Rousseff. Todos eles, independente de juízo de valores políticos, foram eleitos e não galgados ao cargo na marra e com um Congresso que se dobrou aos golpistas.

Espera-se que entidades representativas da sociedade brasileira apoiem essa sugestão e pressionem os parlamentares no sentido de aprovarem a continuidade do que foi feito pelo Congresso.

Tornar a proposta um fato concreto vai depender apenas da vontade política dos congressistas e também será uma comprovação de que a anulação da sessão que declarou vaga a Presidência da República pela maioria dos congressistas não foi apenas uma ação simbólica.

Em termos práticos, o Brasil está escrevendo a sua história. Até porque, a história como foi apresentada pelos que tomaram o poder de fato depois de abril de 64 não corresponde a realidade.

É também preciso acolher o relatório da Comissão da Verdade de São Paulo que mostra ter sido o presidente Juscelino Kubitschek vítima de complô que o levou a morte na estrada Rio-São Paulo.

Aguarda-se também o resultado das investigações sobre as circunstâncias da morte do Presidente João Goulart.

Em suma: com as verdades, o Brasil escreve a sua história e fortalece a democracia.”

 

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