Barbosa se despede da seleção brasileira


07/03/2008


No início dos anos 40, o jovem Moacir Barbosa, natural de Campinas, interior de São Paulo, era a revelação do selecionado amador paulista. Suas atuações despertaram o interesse dos dirigentes do Ypiranga, da primeira divisão da Federação Paulista de Futebol. O bom time do Ypiranga terminou o Campeonato Paulista de 1942 em 3º lugar e Barbosa era o destaque.

Indicado por Domingos da Guia, seu grande amigo e incentivador, Barbosa transferiu-se para o Vasco da Gama em fins de 1944. Em 45, as seguidas contusões não permitiram que ele aparecesse. No ano seguinte, porém, disputou todo o Campeonato Carioca como titular e seu nome passou a ser lembrado para a seleção brasileira.

Barbosa estreou na Copa Rio Branco, no Estádio Centenário, em Montevidéu, contra o Uruguai, no dia 4 de abril de 1948. O empate de 1 a 1 foi o resultado, com gols de Danilo e Falero. Na segunda partida, Luiz Borracha assumiu a defesa da rede.

Titular

Em 49, sob o comando de Flávio Costa, o Brasil preparava-se para o Sul-americano, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e também para a Copa do Mundo de 1950. Barbosa ganhou o posto de titular e disputou todos os jogos no período de 3 de abril a 11 de maio, conquistando o título de campeão sul-americano: Equador (9 a 1), Bolívia (10 a 1), Chile (2 a 1), Colômbia (5 a 0), Peru (7 a 1), Uruguai (5 a 1), Paraguai (1 a 2 e 7 a 0).

De 6 a 18 de maio, o Brasil disputou com uruguaios e paraguaios, respectivamente, a Copa Rio Branco e a Taça Osvaldo Cruz. Barbosa atuou em todos os jogos contra o Uruguai (3 a 4 no Pacaembu e 3 a 2 e 1 a 0 em São Januário), enquanto Castilho foi o goleiro das duas partidas diante do Paraguai (2 a 0 em São Januário e 3 a 3 no Pacaembu).

No dia 24 de junho de 1950, o Brasil estreou na Copa do Mundo. Barbosa era titular absoluto e disputou todos os jogos, contra México (4 a 0), Suíça (2 a 2), Iugoslávia (2 a 0), Suécia (7 a 1), Espanha (6 a 1) e Uruguai (1 a 2). O gol de Gighia que deu o título ao Uruguai marcou sua carreira:
— As jogadas uruguaias eram feitas explorando a velocidade do Gighia, para ele ir à linha de fundo e jogar para trás. No primeiro tempo, cortei umas duas bolas. Uma outra, ele centrou e o Miguez acertou na trave. Eu estava chamando a atenção dos meus homens, que tinham que olhar aquilo, porque eu não podia estar saindo além da marca do pênalti. Chegou o segundo tempo e continuaram fazendo a mesma coisa. Tanto que, na hora no primeiro gol, avisei que eles só tinham essa jogada. Se matassem ela ali, acabava, os uruguaios não tinham mais nada. No lance do gol, o Gighia veio e eu, mais do que nunca, estava olhando para ele e vendo se o Schiafino ou o Miguez estavam na área. Realmente, os dois vinham e nessa ele me pegou no contrapé. Ele mesmo disse que chutou porque o Bigode vinha correndo e ficou com medo de ser alcançado. Gighia mais se livrou da bola e deu sorte.

Mudança

Com a perda do Mundial, na escalação para o Pan-Americano de 52, no Chile, a CBD substituiu Flávio Costa no comando técnico da seleção:
— Houve a mudança de treinador e o Zezé Moreira veio com espírito de renovação. Levou o Castilho, Osvaldo Baliza e, se não me engano, o Cabeção. Mas, em 1953, eu voltei à seleção com o Aymoré Moreira e fui ao Sul-americano de Lima, com Castilho e Gilmar. Nos meus quase dez anos de seleção, foi um dos piores momentos, nunca vi coisa igual. O Paraguai foi campeão sob o comando de Freitas Solich, que depois veio para o Flamengo.

Barbosa jogou apenas contra o Equador (2 a 0 para o Brasil). Seria o último jogo na seleção do extraordinário goleiro, apontado por muitos de seus colegas como o maior de todos os tempos.   

A seleção em Lima, no dia 12 de março de 53: Djalma Santos, Eli, Brandãozinho, Barbosa, Pinheiro e Alfredo; Mário Américo (massagista), Cláudio, Didi, Baltazar, Ademir e Rodrigues

                

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