11 de agosto de 2022


ABI dá queixa à Polícia contra ataque hacker


03/09/2020


A ABI apresentou na sexta-feira, 4, queixa à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, da Polícia Civil, contra ataques pesados de hackers que deixaram o site da Casa do Jornalista fora do ar durante praticamente três dias, entre a manhã de segunda-feira, 31/08, e noite de quarta-feira, 02/09.
Embora tenha voltado ao ar na quinta-feira, 3,    o sistema só voltou de fato a funcionar na sexta-feira, 4, pois ficou durante todo período atualizando dados.
Ao longo do processo, invasores foram identificados e bloqueados. Os ataques externos tiveram origem em vários países, dentre eles Rússia, França, Alemanha, Bolívia, Holanda e Estados Unidos. Foram de tal monta que derrubaram o servidor.

“São quadrilheiros fascistas internacionais que atuam contra a cidadania e contra o direito de expressão e de opinião “, ressaltou o presidente da ABI, Paulo Jeronimo.A defesa do site da ABI envolveu trabalho técnico árduo e complexo na transferência de informações e backup de pastas, de modo a evitar perdas de conteúdos e entrada de dados com vírus.

Como se vê, o jogo está ficando cada vez mais bruto, mas não irão nos calar.

A ABI continuará lutando pela democracia e liberdade de imprensa – bandeiras que pautam seus 112 anos de história.

Ataques

Este foi o segundo ataque ao site da ABI, em curto espaço de tempo.  O primeiro, há cerca de dez dias, foi realizado a partir de computadores situados no Brasil. Já o ataque de segunda-feira, 31, partiu de computadores que estão no exterior – fato que poderá dificultar o rastreamento e a responsabilização dos criminosos.
Esta última invasão não tem relação com o posicionamento da ABI (ocorrido no mesmo dia) a respeito da conduta da prefeitura do Rio, que mobilizou funcionários para fazer plantões na porta de hospitais municipais na tentativa de impedir reportagens que contivessem denúncias de mau atendimento nessas unidades de saúde. “O ataque partiu de críticos da ABI, mas não por causa dessa situação”, disse Paulo Jeronimo.

Segundo especialistas, o ambiente da ABI foi alvo de um pesado ataque cibernético com o intuito de acessar a área administrativa do site. Essas tentativas são normalmente feitas por sistemas automatizados, chamadas de” botnets”, que podem disparar o ataque a partir de um único computador origem e propagar o ataque por diversas máquinas ao redor do mundo. Sem uma investigação adequada, é inviável  descobrir se o ataque foi criado por apenas uma pessoa ou por um grupo.
Na opinião das mesmas fontes, a derrubada do site da ABI parece ter sido causado por efeito inesperado de um “denial of service” (negação de serviço, em português),decorrente do altíssimo volume de tentativas para descobrir o par de usuário/senha administrativos do site.

Todo servidor tem um limite de conexões possíveis para atender os usuários regulares do site e, quando o volume de conexões extrapola o limite do servidor em questão, novas conexões não podem ser aceitas. Um ataque do “denial of service” funciona mantendo um volume alto de conexões, superior ao limite do servidor, bloqueando conexões legítimas ao sistema.

O diretor Administrativo e Jurídico da ABI , Antero Luiz Martins Cunha, informou que essas explicações técnicas constam da petição da ABI encaminhada à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

Ondas de ataques virtuais têm se disseminado nos últimos meses no país. Diversas instituições e grupos ligados aos direitos humanos e a pautas progressistas têm denunciado uma massificação de ataques hackers. Entre os alvos de invasões relatadas nos últimos meses estão palestras sobre questões de gênero e raça, pré-candidaturas de partidos políticos de esquerda e perfis de influenciadores negros.

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