Polícia francesa mata mentor de ataques a Paris


Por Claudia Sanches*

19/11/2015


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O jihadista Abdelhamid Abaaoud

Abdelhamid Abaaoud, 28 anos, o belga de origem marroquina, apontado como mentor dos ataques terroristas de Paris, está morto, informou nesta quinta-feira (19) a Procuradoria de Paris. Abaaoud morreu durante operações da polícia francesa em Saint-Denis nesta quarta-feira (18). Seu corpo foi encontrado dentro do apartamento onde ocorreu a ação policial. Ele é o autor intelectual dos atentados que mataram 129 pessoas e deixou mais de 350 feridos.

“Abdel Hamid Abaaoud acaba de ser formalmente identificado, depois da comparação das impressões papilares (impressões digitais das mãos ou pés), como falecido no decorrer da operação realizada pela RAID (unidade de elite da polícia francesa em português) em Saint-Denis na madrugada de 18 de novembro”, afirmou um comunicado oficial.

A polícia francesa também confirmou que a mulher-bomba que morreu na mesma operação era prima de Abaaoud, e se explodiu durante a ação policial, onde mais outras oito suspeitos foram presos.

Inicialmente, o próprio promotor francês, François Molins, desmentiu a possibilidade de o belga ter sido morto. Abaaoud só foi identificado por suas digitais, já que seu corpo ficara irreconhecível após ser crivado de balas.

Quem era Abaaoud

Abaaoud era originário do bairro de Molenbeek, em Bruxelas, conhecido como um celeiro de jihadistas. Serviços de inteligência em toda a Europa afirmam que o local é um terreno fértil para o extremismo. Abaaoud seria amigo de infância de Salah Abdeslam, buscado internacionalmente por suspeita de participar dos ataques em Paris.

Abaaoud adotou o nome religioso de Abou Omar Soussi e se juntou aos combatentes radicais na Síria no começo de 2013.

Seu nome ficou conhecido na Bélgica um ano mais tarde, quando o pai revelou à imprensa que o filho teria doutrinado e levado à Síria o irmão de 13 anos, Younes.

Pouco depois, o jihadista foi identificado em uma série de vídeos macabros publicados em redes sociais, nos quais aparece sorridente ao volante de uma caminhonete que reboca cadáveres mutilados de civis assassinados pelo Estado Islâmico (EI).

  “Tenho vergonha por Abdelhamid. Ele arruinou nossas vidas”, diz pai do jihadista

O jihadista mais procurado da Bélgica, Abdelhamid Abaaoud era filho de imigrantes muçulmanos de Molenbeek, descrito pelos amigos da escola como brincalhão, pacífico, religioso, mas não radical.

Seu pai, Omar, um marroquino instalado em Bruxelas há 40 anos, se orgulha de ter chegado ao país como mineiro e ter conseguido comprar uma loja de roupas, onde Abaaoud trabalhava a seu lado.

Omar diz não saber explicar como o filho pôde se radicalizar tão rapidamente. “Tenho vergonha por Abdelhamid. Ele arruinou nossas vidas. Nós que devemos tudo à Bélgica”, disse o pai do terrorista em uma entrevista concedida ao jornal belga Het Laatste Nieuws.

 Em sua conta no Facebook, hoje fechada, ele publicava ameaças de atentados contra a França e a Bélgica, incitava seus conterrâneos a unir-se a seu grupo na Síria ou a “passar à ação” em seus próprios países, caso não conseguissem emigrar.

Em um ano, o jihadista de Molenbeek teria subido na hierarquia do Estado Islâmico; acredita-se que hoje ele era um dos membros estrangeiros mais importantes do EI.

Seu nome voltaria a aparecer nos noticiários em janeiro passado, citado como cérebro de uma célula terrorista desmembrada na cidade belga de Verviers que estava ponta para cometer um atentado de grandes proporções contra as forças de segurança do país.

O episódio ocorreu uma semana depois dos atentados contra o jornal satíricoCharlie Hebdo e um supermercado judeu em Paris.

Segundo Ministro do Interior da França Bernard Cazeneuve, o terrorista teria participado de quatro tentativas de atentados na país, todas frustradas.

*Fontes: G1; Agências Internacionais

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