A importância da imagem estática


20/02/2006


Rodrigo Caixeta
24/02/2006

Repórter-fotográfico da Gazeta de Ribeirão, de Ribeirão Preto, Fabio Melo descobriu a fotografia enquanto estava no 2º ano do curso de Rádio e TV. Mesmo antes, porém, já gostava de se expressar através de imagens, usando a filmadora do pai para “fazer a cobertura” das festas da família:
— Durante as aulas de Fotografia, descobri a importância de uma imagem estática, impressa, tanto no sentido documental quanto como forma de expressão artística.

A carreira começou quando Fabio era “frila fixo” do jornal da Associação Comercial de Campinas (Acic). Levou tão a sério o ofício que, mais tarde, procurou o sindicato em São Paulo para tirar o registro profissional. Lá, conheceu um fotógrafo do Correio Popular, também de Campinas: Eduardo Beck com quem fez amizade. Por indicação dele, foi contratado posteriormente como laboratorista do Diário do Povo:
— Quando a Rede Anhanguera de Comunicação, grupo dono do Diário do Povo e do Correio Popular, se tornou uma agência de notícias e juntou os jornais, comecei a ganhar espaço para fotografar eventualmente. Muitas vezes, depois que o último fotógrafo ia embora, acontecia um fato inesperado como o fim de um seqüestro ou uma operação da Polícia Federal na madrugada e, pouco a pouco, fui “ganhando” pautas no meio do fechamento. Conquistei minha independência quando a rede abriu a Gazeta de Ribeirão e precisou de um profissional que, além de fotografar, soubesse arquivar, catalogar, transmitir fotos e ajudar na edição do jornal. Mesmo sendo uma publicação semanal, a correria é diária.

Há seis anos fotografando profissionalmente, Fabio ainda trabalhava em uma agência da Caixa Econômica Federal — onde passava madrugadas fazendo compensação de cheques — quando participou pela primeira vez de uma exposição coletiva em São Paulo, em comemoração aos 60 anos do Edifício Sé, onde há uma agência da CEF. Agora, ele planeja a primeira individual:
— Estou programando para junho, quando Ribeirão Preto comemora 150 anos. Vou coletar imagens de crianças brincando em pontos conhecidos da cidade, desde a periferia até os parques da Zona Sul, e fazer um texto remetendo a essas mesmas crianças e como elas festejarão os dois séculos de Ribeirão, em 2056.

Para Fabio, o clique certeiro é o momento que mais traduz a matéria. Ele segue como lema o velho ditado “uma imagem vale mais que mil palavras”, mas diz que o fotógrafo só consegue chegar lá observando muito e acompanhando a pauta, principalmente no caso do factual:
— Quando se trata de uma matéria especial, o profissional deve ter em mente o que quer mostrar. É um momento de concentração, quando devemos, quase instantaneamente, reproduzir o mais próximo daquilo que imaginamos. Técnica e equipamento não bastam quando não temos a idéia na cabeça. O desafio é buscar a imagem, mesmo em condições adversas.

Tensão

Fabio passou por momentos de tensão, há alguns meses, quando ameaçou fotografar camelôs que vendiam CDs e DVDs piratas. Quase apanhou e, por isso, adverte que o bom profissional tem que saber “discernir os limites de conduta, agir na hora certa, ser educado, disciplinado e, ainda assim, não perder a oportunidade de garantir ao menos uma imagem na volta à redação”:
— O ato de posicionar a máquina no rosto sem estar bem preparado pode pôr em risco a fotografia. Da mesma forma, porém, se você pensar muito pode perder a imagem. Passei por outras situações de risco, mas sempre soube sair com jeito e sem perder a cabeça. Devemos ter em mente que estamos o tempo todo trabalhando e que há toda a estrutura de um jornal a seu favor.

Orgulhoso, Fabio diz que gosta de saber que faz parte do “mundo de imagens que inunda os jornais, num momento em que as fotografias ganharam mais valor nas publicações e, agora, na internet”. E aprecia fotos que saem do convencional, buscando sempre uma informação a mais:
— É o olhar apurado do fotógrafo aliado à técnica; a sensibilidade que só com treino e experiência o profissional consegue traduzir e expressar em imagem. Acredito que todo fotógrafo tem suas virtudes e procuro observá-las como forma de referência. Tenho o olhar de um observador, o que não deixa de ser o ofício de um fotógrafo.

Fabio diz que o fotógrafo deve saber de tudo um pouco — “ter conhecimentos gerais é fundamental para que ele não saia na rua e vire um mero ‘clicador’ ou ‘fazedor de fotos’”. Se vai a campo com o repórter, a dica é tirar o máximo de informação até que ambos cheguem ao foco da imagem. E avisa os interessados em ingressar na área:
— Minha dica é ver muita foto, enxergar a importância e o peso que a fotografia tem em qualquer veículo, desde uma revista de fofocas a um jornal internacional. E treinar muito, clicar muito, errar bastante para, a partir daí, corrigir os próprios erros.

Pegando carona num novo meio de expressão virtual, Fabio criou o fotolog “Cenas urbanas: um olhar corriqueiro sobre Ribeirão” (http://fmelo.flogbrasil.terra.com.br/):
— São cliques feitos quando estou no banco do passageiro, na ida ou na volta de uma pauta. Meu objetivo é despertar o internauta para a observação. 

Clique nas imagens para ampliá-las: 

“O governador do Estado de
São Paulo…”

“Nenê Belarmino, técnico do…”

“Flagrante de um tradicional churrasco…”

“Uma senhora tem a mão beijada em…”

“As lentes
do fotógrafo viram…”

“Criança
mostra panfleto…”

“Interno
da Febem equilibra…”

“População se distrai com
os livros…”

“Este é
o músico
Jesuíno…”

“Fotografei este menino…”

“Meninos
olham desconfiados…”

“Palestra
com o obstetra…”

“Freira abre
as portas
da recém…”

“Diretor observa alunos…”

“Esta foto
do calçadão
comercial…”

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