Morre Maneco, ex-secretário do “JB”


25/07/2012


Manoel Aristharco Bezerra, o Maneco, como era chamado pelos amigos e colegas de Redação do Jornal do Brasil, um dos grandes personagens do jornalismo carioca, morreu aos 78 anos, na manhã desta terça-feira, 24 de julho, de morte natural, em sua residência no Rio. Seu corpo foi enterrado nesta quarta-feira, 25, na presença de familiares, amigos e ex-companheiros no cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
 
 
Ex-companheiros e amigos que trabalharam com ele desde o tempo em que era Secretário noturno da redação do Jornal do Brasil, lembraram emocionados do amigo. Entre eles José Silveira, ex-chefe do copidesque do JB, que disse que foi acordado com a notícia de sua morte:
— Fui avisado pelo rapaz que o acompanhava. Ele apagou e descansou, contou Silveira.   
 
 
Carlos Lemos, ex-chefe de Redação do JB, emocionou-se ao lembrar do amigo e disse que o dia de hoje “está mais triste com a morte do Maneco”:
— Perdemos um grande amigo, extraordinário. O Maneco, além de ser um homem honrado e trabalhador, exercia um papel importante na feitura do Jornal do Brasil como Secretário, atuando entre a Redação e a oficina, concluiu Lemos.   
 
 
Conforme foi registrado no seu obituário publicado no JB Online, nesta quarta-feira, 25 de julho, Maneco será lembrado por ser “jornalista por excelência, competente na resolução de problemas e com grande respeito dos amigos de profissão contemporâneos”.  
 
 
Laerte Gomes, ex-editor de Arte do JB, falou sobre o que admirava no ex-companheiro, que era “dotado de um bom humor ímpar e distribuía altas gargalhadas pela redação”:
— Manecão tinha uma gargalhada gigante que dá muita saudade, disse Laerte.
 
 
Ao lembrar os momentos de divertimento e trabalho que compartilhou com Maneco no JB, Romildo Guerrante falou sobre o amigo:
— Um dos melhores profissionais com que contei no jornalismo. Rigoroso com a qualidade cercava na oficina, no tempo em que foi secretário noturno, as bobagens e muitas distrações que nós no copidesque, às vezes cansados pelas jornadas noite adentro, deixávamos escapar na Redação. Carinhoso, tratava todo mundo com enorme dignidade, capacidade de trabalho  imensa. Maneco foi um padrão que busquei pra mim mesmo no jornalismo, disse Guerrante.
 
 
Maneco trabalhou no JB nas décadas de 60 e 70, num período importante do jornal, marcado por um projeto gráfico ousado e inovador. O jornalista foi um personagem importante desse período, na sede do jornal na Avenida Rio Branco e mais tarde quando a Redação do diário foi transferida para o prédio da Avenida Brasil, nº 500, em frente ao Cais do Porto, no Caju. No local atualmente funciona o  Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). 
 
 
O jornalista Sérgio Noronha, ex-secretário de redação do JB, destaca que Maneco também foi responsável pela “revolução” que ocorreu entre os anos de 1960 e 1970 no jornal:
— Maneco foi um dos responsáveis pela reforma gráfica do JB. Na época, este fato, foi uma grande revolução no jornalismo, afirmou.
 
 
Maneco era pernambucano, casado com Martha Engert, com quem teve quatro filhos ― todos já formados ― que lhe deram uma neta. Há alguns anos, sofreu um AVC que lhe deixou sequelas e o colocou numa cadeiras de rodas. BR>

* Com informações do JB Online.