Oscar Niemeyer completa 101 anos


15/12/2008


Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho, nascido no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1907, é considerado um dos maiores nomes da arquitetura moderna internacional.

Pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, o premiado arquiteto completa 101 anos nesta segunda-feira, 15, dedicando-se à movimentada agenda de trabalho, que inclui projetos no Brasil e no exterior, como a construção de um centro cultural na Espanha. Na última semana, Neimeyer esteve em Brasília e discutiu com o Presidente Lula o projeto de reforma do Palácio do Planalto. Na ocasião, relembrou o convite feito por Juscelino Kubitschek para construir a nova capital federal e revelou que ainda deseja presentear a cidade com obras como “a Praça do Povo, a Torre de TV Digital e o Sambódromo”.

Brasilidade

Para comemorar este dia 15, foi lançada uma coleção de jóias idealizada pelo empresário Roberto Stern, que buscou inspiração nas obras do mestre:
— É incrível como conseguiram fazer as jóias iguais aos meus desenhos — disse Niemeyer aos jornalistas.

O MST também homenageou o aniversariante com um painel — pintado por artistas do grupo — e um cartão desejando “longa vida ao mestre” e exaltando “101 anos de idade, de muita arte, coerência, brasilidade, internacionalismo e fidelidade ao povo; um verdadeiro comunista!”.


Ideologia

A opção política é uma das marcas do arquiteto, que sempre ressaltou seus valores ideológicos sem temer os críticos.
— Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades.

O “mais velho arquiteto em atividade”, como descreveu o jornal espanhol El País, assegura que em sua centenária trajetória os valores da vida estarão sempre em primeiro plano em relação à arquitetura:
— Sempre acrescentei nas minhas palestras que não dava à arquitetura maior importância e não havia nada de desprezível nessas palavras — diz Niemeyer. — Comparava a outras coisas ligadas à vida e ao homem, referia-me à luta política, à colaboração que todos nós devemos à sociedade, aos nossos irmãos mais desfavoráveis. O que se compara à luta por um mundo melhor, sem classes, todos iguais?

Crônicas

Em outubro último, às vésperas de completar 101 anos, o arquiteto lançou seu primeiro livro de crônicas, que reúne textos publicados na Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense e outros veículos de imprensa ao longo de várias décadas. O Presidente da ABI, jornalista Maurício Azêdo, prestigiou o lançamento da publicação, ao lado de sócios e conselheiros da entidade e várias personalidades.

Para o gênio da arquitetura, que dedicou um capítulo especial às reflexões intimistas, esses momentos de observação foram fundamentais para desenhar o caminho positivo de sua vida e sua carreira:
— Não sou tão ingênuo para seguir os que dão aos que fazem importância extraordinária e se julgam predestinados, prontos a entrar na História. Sou realista e sei muito bem como as coisas são precárias e ilusórias diante do tempo que tudo vai diluir e esquecer.