Ilha de Paquetá: um
paraíso ameaçado


06/02/2020


A população de Paquetá, uma pequena ilha na Baía de Guanabara, que é um bairro da cidade do Rio de Janeiro, está dando o que falar. Desde que a CCR Barcas, a empresa responsável pelo único transporte que liga a ilha ao continente, anunciou sua intenção de reduzir drasticamente o  número de barcas utilizado na travessia, os moradores reagiram, puseram a boca no trombone e estão sendo ouvidos em todos os cantos do Rio de janeiro

Amândio Amaral, desenhista, morador de Paquetá, em manifestação

Ao lado da Morena (a associação de moradores local), do CCS (Conselho Comunitário de Segurança) e da XXI RA (Região Administrativa), criaram o movimento Respeita Paquetá, exigindo a revogação da grade de horários anunciada na antevéspera de Natal, mas que só entrou em vigor no último dia 25 de janeiro,  em razão dos muitos protestos, campanhas, atos públicos e até uma batalha judicial que ainda não terminou.

A CCR ganhou na justiça de primeiro grau o direito de diminuir cinco horários nos dias úteis, e nos fins de semana e feriados passou de 23 para 12 viagens por dia.

Tamanho descalabro, tomado de forma unilateral, mexeu com a vida de todos que têm vínculos com a ilha:  professores, encarregados da saúde pública, trabalhadores, estudantes, turistas, todos vítimas da crueldade de uma companhia formada por gigantes do mercado de concessão de transportes, entre eles grupos de peso como Andrade Gutierrez, Camargo Correia e Soares Penido.

Mas a Defensoria Pública do RJ, que defende os direitos da população de Paquetá,  não se intimidou e levou a batalha para o segundo grau, onde o desembargador Lindolpho Morais Marinho já reconheceu o desequilíbrio da causa, com o prejuízo dos moradores que têm como único transporte as barcas, o que “torna desproporcional, a princípio, a grade ora estabelecida”.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Paulo Jeronimo de Sousa, cobrou respeito aos moradores e trabalhadores de Paquetá:  “Ao longo de seus 110 anos de história, a ABI sempre esteve ao lado das causas justas e dos direitos de cidadania. Agora, diante de  verdadeiro atentado promovido pela empresa que explora o serviço de barcas no Rio, com a complacência do governador do estado,  nossa entidade cerra fileiras ao lado do movimento “Respeita Paquetá”. Contém conosco”, afimou.

Também a Alerj resolveu cerrar fileira ao lado dos paquetaenses. E resolveu ajudar no problema da redução dos horários das barcas.

A lamentar a palavra do governador Wilson Witzel, que garantiu que a grade nova da CCR  estava fora, e no dia seguinte, ela entrou em vigor.

Bia Santacruz, jornalista

 

Artistas e autoridades defendem Paquetá. Assista aos vídeos:

A atriz Bete Costa

 

Cardeal Dom Orani Tempesta 

 

Cantor e compositor Chico Buarque