Venezuela libera credenciais de jornalistas da CNN


Por Cláudia Souza*

24/02/2014


Presidente Nicolás Maduro Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Presidente Nicolás Maduro Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O Ministério de Comunicação e Informação da Venezuela revogou as credenciais de quatro jornalistas da rede de TV CNN e sua afiliada em espanhol. As licenças haviam sido canceladas nesta sexta-feira, 21, após o presidente Nicolás Maduro acusar a emissora de fazer “propaganda de guerra” na cobertura dos protestos no país.

De acordo com a agência Ansa, a jornalista Osmary Hernandez, correspondente da CNN na capital Caracas, informou em ser perfil no Twitter que as credenciais foram liberadas ainda na sexta-feira, 21, após uma entrevista coletiva concedida por Nicolas Maduro.

Na quinta-feira, 20, Nicolás Maduro já havia ameaçado tirar do ar o canal de televisão:

—Pedi para a ministra (Delcy Rodríguez, da Comunicação) notificar a CNN de que iniciaremos o processo administrativo para tirá-los da Venezuela caso eles não retifiquem sua programação. Eu estava agora mesmo assistindo a emissora. Nas 24 horas do dia, sua programação é de guerra. Eles querem mostrar ao mundo que na Venezuela há uma guerra civil, disse Maduro sobre o episódio.

Por meio de nota, A CNN lamentou a decisão do governo e ressaltou a disposição em dialogar com as autoridades venezuelanas. “A CNN em Espanhol tem informado de maneira isenta os dois lados da tensa situação que vive a Venezuela, ainda que com acesso restrito a fontes do governo. Esperamos que o governo reconsidere sua decisão. Enquanto isso, seguimos informando de maneira justa e balanceada, como é  característico de nossa empresa jornalística”, diz o texto.

Crise

As manifestações na Venezuela começaram no último dia 4, com protestos de estudantes contra a insegurança nas universidades, um dia após uma jovem ter sofrido tentativa de estupro e roubo na Universidade de Los Andes, San Cristóban, em Táchira.

Dois dias depois, centenas de estudantes se mobilizaram e um grupo atacou o governador do estado, José Vielma Cristóbal – cinco jovens foram detidos.

Em seguida, tiveram início os protestos no estado vizinho, Mérida. Nos dias 8 e 9, foram realizadas manifestações em outros estados.

No último dia 12, foram registrados confrontos violentos entre simpatizantes do presidente Nicolás Maduro e opositores, e o início da ação de motoqueiros armados, que dispararam contra os manifestantes, além de barricadas e bloqueios nas ruas.

Além do combate à criminalidade, os manifestantes protestam contra a alta da inflação, a escassez de bens de consumo básico, o mercado negro do dólar e os apagões energéticos, além do aumento da criminalidade.

Golpe

O governo de Nicolás Maduro atribuiu a culpa dos atos violentos e do vandalismo ao dirigente do partido Vontade Popular, Leopoldo López, que cumpre pena provisória de 45 dias, desde o último dia 18, por ter sido considerado mentor intelectual da ação de grupos radicais nos protestos.

Na data da prisão de López, milhares de venezuelanos foram às ruas para protestar de forma pacífica, mas novos atos de vandalismo, agressões e mortes foram registrados. Os conflitos provocaram a morte de dez pessoas e deixaram mais de 130 feridas.

O presidente Maduro diz que os Estados Unidos patrocinam a direita na tentativa de golpe. A oposição nega que tenha um plano conspiratório, mas pressiona o governo incentivando e participando do movimento da sociedade civil. Da prisão, Leopoldo López envia recados por intermédio da esposa, pedindo que o “movimento continue”.

Os organismos multilaterais regionais – Comunidade dos Países Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) – manifestaram apoio ao governo venezuelano.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, expressou preocupação com os acontecimentos na Venezuela e disse que os Estados Unidos deixaram claro que, junto à OEA e aos parceiros regionais, “estamos trabalhando para exortar a calma e incentivar um verdadeiro diálogo entre todos os venezuelanos”.

*Com informações da Agência Brasil, Estadão, G1