27 de setembro de 2022


Testemunha da evolução da fotografia


15/08/2006


José Reinaldo Marques
18/08/2006

O carioca Peter Cardoso Ilicciev — 40 anos de idade e dez de profissão — diz que o que mais lhe agrada no fotojornalismo é o desafio de registrar o cotidiano das grandes cidades como o Rio de Janeiro — “cheias de diferenças sociais” — sem abrir mão da criatividade, mesmo tendo a sensação de que as histórias acabam se repetindo:
— Acho que esse processo acaba sendo inevitável na trajetória de qualquer repórter-fotográfico, profissional que não pode ficar de fora do contexto social. Todos nós que trabalhamos em jornal acabamos por ter a mesma participação no processo histórico da cidade em que atuamos.

Peter, que ingressou no jornalismo nos anos 90, trabalha atualmente no jornal O Fluminense e no setor de Multimeios da Fiocruz. O gosto pela fotografia vem desde a infância, quando costumava brincar com a Rolleyflex do pai. Com o passar do tempo, a brincadeira foi ficando séria e hoje ele se orgulha de viver somente da profissão de fotógrafo:
— Estou muito contente com a escolha que fiz. O fotojornalismo nos dá a oportunidade de denunciar as injustiças sociais nos mais diversos contextos da vida urbana. E ainda assim — e ainda que os veículos pareçam mais interessados em vender o caos — conseguimos revelar também a beleza do cotidiano.

A realidade muitas vezes mexe emocionalmente com o fotógrafo. Peter conta que já passou por situações difíceis e momentos em que se sentiu tocado pelos personagens que deveria fotografar, como numa matéria sobre um rapaz com problemas mentais que havia desaparecido, deixando a família desesperada:
— Ouvi a história e fotografei os parentes para que suas imagens, quando publicadas, pudessem ser identificadas por alguém que ajudasse na busca. A resposta veio rapidamente. O rapaz foi encontrado e os pais dele fizeram questão de agradecer pessoalmente. Esse episódio foi muito emocionante e acabou trazendo gratificações. 

Respeito

Peter Ilicciev não vacila quando fala do bom conceito alcançado pelo fotojornalismo brasileiro — “em que se destacam muitos profissionais com o talento de Luiz Morier, Custódio Coimbra e Severino Silva” —, mas acha que os veículos deveriam investir mais na valorização dos profissionais e nas condições de trabalho:
— Hoje, embora seja mais respeitada, a profissão ainda oferece dificuldades quanto a salários e condições de trabalho. Quem sofre mais são os frilas, que só conseguem trabalhar se tiverem equipamentos de ponta próprios — e assim mesmo para encarar cargas horárias abusivas e, conseqüentemente, ficar com pouco tempo para se atualizar, freqüentar exposições etc.

Embora não seja o seu caso, ele busca sempre fugir da rotina — e uma das formas encontradas para isso foi abraçar o samba:
— Trabalho na Assessoria de Imprensa da Mangueira, fazendo registro de visitas, trabalhos sociais, festas e ensaios. Embora muita gente não saiba, a escola funciona o ano inteiro. Agora, meu sonho é fazer um livro sobre a Mangueira, mostrando ângulos diferentes do que costumam mostrar nos jornais e revistas.

Na Fiocruz, Peter começou trabalhando na área científica, produzindo fotos para várias exposições promovidas pela fundação, em cujo laboratório aprendeu diversos truques:
— Foi uma grande escola trabalhar com pesquisadores da área de ciências médicas e biológicas. Depois, fiquei nove anos na Assessoria de Imprensa da Fiocruz, onde tive a oportunidade de fotografar presidentes de várias nações e grandes cientistas. Atualmente, estou no setor de Multimeios, onde já criamos o primeiro banco de imagem da fundação.
 

Clique nas imagens para ampliá-las: 

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“Conhecido pelo seu mau humor…”

“Antônio sofre de alcoolismo,
não tem…”

“A pichação embaixo do cartaz…”

“Esta é uma cena típica
de um…”

“Romário
tentou usar a malandragem…”

“Outra de Romário,
que sempre…”

“Como diria
o mestre Jamelão…”

“O olhar angustiado
do rapaz…”

“No leilão
da Usiminas,
a polícia…”

“Esta foto foi tirada no Instituto …”

 

 

           

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