4 de outubro de 2022


Sandroni: Centenário devia ser feriado nacional


31/01/2008


        

Ao comunicar que aceita o convite para integrar a Comissão de Honra do Centenário da ABI, o jornalista e acadêmico Cícero Sandroni, Presidente da Academia Brasileira de Letras, disse que essa data deveria ser feriado nacional, com todos trabalhando normalmente, como homenagem à contribuição dos jornalistas à formação do País. Este é o teor da mesnagem:
          
         
          “Meu caro Maurício Azêdo,

          O século de vida da Associação Brasileira de Imprensa deveria ser comemorado como um feriado nacional, mas com uma diferença dos outros: ninguém deixaria de trabalhar. Por uma razão: os jornalistas sempre trabalharam todos os dias, mesmo nas datas nacionais ou religiosas. E trabalharam para informar ao mesmo tempo em que, pela opinião  independente, pelas análises, comentários, sátiras, críticas, reportagens, caricaturas, ensaios, “sueltos”, “várias”, manchetes e artigos de fundo, contribuíram para a formação do País.
         Barbosa Lima Sobrinho afirmava que a História do Brasil estava intimamente ligada à História da Imprensa brasileira, pela ativa participação dos jornalistas nos principais eventos da nossa trajetória, desde a independência, a abolição da escravatura e a proclamação da república.
        Com a fundação da ABI em 1908, os jornalistas encontraram a sua Casa e desde então todos aqueles que participaram ativamente da nossa História receberam na ABI o apoio indispensável para a livre circulação das idéias e fizeram dela, na feliz definição de Edmar Morel, a trincheira da liberdade.
                         Ao contemplar os cem anos de vida a ABI pode ter certeza de que combateu o bom combate, pela preservação do direito fundamental à informação e à opinião, pela volta do regime democrático quando os golpes de força aboliram-no do País e pela permanente defesa dos direitos humanos. Centenas de jornalistas associados à ABI participaram deste combate, sofreram nas prisões, foram torturados e assassinados. A própria ABI sobreviveu a ataques terroristas e passou anos sob permanente ameaça de fechamento e ocupação de suas instalações. 
                        Sinto-me honrado com o convite para participar da Comissão e fico, como sempre, à disposição dos colegas, para toda e qualquer tarefa que me for atribuída, na condição de simples servidor — o que sempre fui —, nos quase quarenta anos de sócio da Casa do Jornalista.
                       (a) Cícero Sandroni.”                          

                

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