RSF denuncia repressão a jornalistas


09/06/2010


Mahmoud Ahmadinejad

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou que o Governo do Irã está praticando uma “política de repressão sabiamente elaborada” com detenções de jornalistas no país, segundo a organização, desde a reeleição do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 12 de junho de 2009, 170 jornalistas e blogueiros foram detidos em um ano e “22 deles foram condenados a penas que representam no total 135 anos de prisão”, destacou a RFS através de um comunicado.

O relatório da RFS aponta que a repressão do Governo iraniano aos jornalistas provocou a saída do país de mais de uma centena de profissionais que trabalham imprensa. De acordo com o levantamento da entidade, “milhares de sites foram bloqueados e 23 jornais estão proibidos de circular pelas autoridades iranianas”.

A RFS acusa do Governo de Mahmoud Ahmadinejad de estar implantando no Irã um sistema de erradicação da profissão de jornalista. O mesmo comportamento se aplica a ativistas sociais e observadores internacionais.

As denúncias da RFS contra o Governo do Irã foram feitas após análise do período de 12 meses após a reeleição de Ahmadinejad, por meio da qual a organização buscava informações sobre a liberdade de expressão no Irã.

Entidade de defesa da liberdade de imprensa, a RFS afirma que o regime iraniano atuou para “enfraquecer” as redes de comunicação, seja através da internet ou pelo controle das redes telefônicas para o envio de meras mensagens de texto a celulares”. A organização também faz críticas às medidas adotadas pelo Governo iraniano para impedir a circulação de informações sobre os protestos contra o resultado das eleições ocorridas no ano passado. A iniciativa foi classificada como “guerra contra as imagens”.

Segundo a RFS, até o trabalho dos correspondentes estrangeiros no Irã vem sendo prejudicado. Com isso, segundo a entidade, o Governo iraniano está promovendo a “demonização” da imprensa estrangeira, cujos representantes no Irã são considerados “espiões a serviço dos Estados Unidos”.

Um dado preocupante, de acordo com a RFS, é a falta de garantias judiciais nos processos abertos contra jornalistas, cujas prisões ocorrem frequentemente junto a presos comuns. De acordo com a denúncia há casos “sistemáticos” de tortura na prisão Evin.

Em 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a RFS divulgou uma lista com o nome de 40 personagens mundiais chamada de “predadores da liberdade de imprensa”, na qual o Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tem seu nome citado ao lado do dirigente chinês, Hu Jintao; e do atual Presidente cubano, Raúl Castro.

Segundo informações divulgadas à época no site da RFS, são “40 políticos, oficiais de governo, líderes religiosos, milícias e organizações criminosas que não suportam a imprensa, tratam-na como inimiga e atacam jornalistas diretamente. Eles são poderosos, perigosos, violentos e acima da lei”.

* Com informações da RFS, agência EFE e da Folha de S.Paulo.

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