Repórter do Estado de S. Paulo é atingido por bala de borracha em manifestação


Por Igor Waltz*

28/01/2015


Smartphone de Fernando Otto, atingido por uma bala de borracha. Graças ao aparelho, o repórter não se feriu (Crédito: Reprodução/Estadão)

Smartphone de Fernando Otto, atingido por uma bala de borracha. Graças ao aparelho, o repórter não se feriu (Crédito: Reprodução/Estadão)

O quinto ato contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo terminou com mais um número para as estatísticas de violência contra a imprensa. A marcha, que transcorreu de forma pacífica durante quase duas horas e meia na Marginal do Pinheiros, nesta terça-feira, 27 de janeiro, terminou em tumulto dentro da Estação Faria Lima da Linha 4 do Metrô, com bombas de gás e pessoas desmaiadas. O repórter cinematográfico Fernando Otto foi atingido por uma bala de borracha lançada pela Polícia Militar enquanto registrava a ação de um grupo que depredava os vidros da estação.

O jornalista só não se feriu com gravidade porque a bala atingiu o smartphone que estava em seu bolso. O aparelho ficou destruído. Otto teve apenas alguns ferimentos leves, como uma marca vermelha em seu corpo por causa do impacto.

Desde quando as manifestações começaram este ano, cinco jornalistas já foram feridos pela Polícia Militar de São Paulo. Em outro protesto, no dia 23 de janeiro, Edgar Maciel, também repórter do Estadão, foi ferido com um tiro de bala de borracha numa das pernas. Os casos se somam à agressão sofrida pelo fotógrafo da revista Vice, Felipe Larozza, atacado no dia 16 de janeiro a golpes de cassetete apesar de estar identificado como jornalista.

No mesmo dia, o jornalista Thomas Dreux Miranda, do blog Xadrez Verbal foi atingido no tornozelo por um estilhaço de bomba de efeito moral. No dia 9, fotógrafo freelancer Matheus José Maria relata um golpe de cassetete nas costas mesmo após acatar a ordem da PM e deixar de fotografar uma confusão entre agentes e manifestantes.

Manifestação

O ato organizado Movimento Passe Livre (MPL) havia saído do Largo da Batata às 19h15 e bloqueado a Avenida Brigadeiro Faria Lima no sentido da Ponte Eusébio Matoso. Segundo a Polícia Militar, mil pessoas faziam parte da caminhada. Já o MPL falava em 10 mil. A major Dulcinéia Lopes, responsável pela operação, informou que 350 militares faziam o policiamento, menor efetivo desde que começaram os protestos contra a tarifa de R$ 3,50, que entrou em vigor no dia 6.

“Não vamos deixar (seguir) na Paulista, em decorrência das obras, e na Marginal (do Pinheiros) por causa do trânsito”, afirmava a major, ainda no Largo da Batata, onde ocorreu a concentração para o ato. Posteriormente, a PM cedeu e deixou que o MPL bloqueasse a Marginal do Pinheiros pela primeira vez no ano. Na sequência, ficou definido que só a pista local no sentido Castelo seria ocupada.

Veja abaixo as imagens do tumulto dentro do metrô:

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e da Abraji.

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