Prêmio comemora os cem anos da ABI


10/06/2008


 Maurício recebeu a placa de Nilton Molina

O Presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Maurício Azêdo, recebeu nesta terça-feira, 10, uma placa comemorativa aos cem anos da instituição, na abertura da cerimônia de entrega do II Prêmio Mongeral Imprensa, evento que reuniu cerca de 300 estudantes de Jornalismo e profissionais de Comunicação no auditório do RDC (Rio Datacentro), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 

A placa foi entregue pelo Presidente do Conselho de Administração da empresa, Nilton Molina, e traz a definição de Rui Barbosa sobre a imprensa, que ele chama de “a vista da nação”: “Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe mal fazem, devassa o que lhe ocultam e trama, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que ameaça.” 

Ao receber a homenagem, Maurício Azêdo agradeceu à Mongeral lembrando a luta da Associação pela liberdade de imprensa desde a sua fundação:
— Não é uma tarefa fácil. Em cem anos, a ABI já participou de momentos históricos, como a luta contra a ditadura militar e a censura, por exemplo. 

O Presidente da Mongeral Seguros e Previdência, Helder Molina, ressaltou a importância da ABI na estruturação da sociedade brasileira:
— Ao longo dos 173 anos de atuação, nossa empresa acompanhou o processo de construção da democracia no País, possível graças à liberdade de imprensa. Nesse sentido, a Associação Brasileira de Imprensa teve um papel fundamental, e não poderíamos deixar de prestar homenagem pelo seu centenário.

Molina ressaltou ainda que este tipo de evento é importante para estimular o trabalho da imprensa na cobertura do mercado de seguros e previdência privada e chamar a atenção para a cultura previdenciária como forma de garantir um futuro financeiramente tranqüilo:
— Da mesma forma que na previdência privada é importante começar a poupar cedo, os jornalistas precisam despertar mais para a necessidade de discutir o setor.

Em seguida, foram anunciados os vencedores da segunda edição do prêmio, que concorreram a R$ 10 mil por categoria — jornal nacional, jornal regional, revista, imprensa especializada e internet —, com matérias sobre seguros de vida e/ou previdência privada, veiculadas entre 1º de janeiro de 2007 e 15 de março desta ano.

 Maurício Azêdo e o repórter Rodrigo Gallo

Premiados

Rodrigo Gallo, do Jornal da Tarde, venceu na categoria jornal nacional, com a matéria “O futuro começa agora”. Na categoria revista, os repórteres Olívia Horta Bulla e Vinicius Bezerra, da Investimentos, publicada pelo Grupo Estado, foram premiados por “Seu tostão vai virar milhão?”.

O prêmio de melhor reportagem para internet foi conquistado por Nice de Paula, do Globo Online, com a matéria “Dos IAPIs ao PGBL — De onde vem e para onde vai a previdência no Brasil”.

Cristine de Andrade Pires, do Jornal do Commercio do Rio Grande do Sul, foi premiada na categoria jornal regional, com a matéria “Empresas e negócios — investindo no futuro”. Em mídia especializada, Karin Fuchs, da Revista Cobertura, foi a grande vencedora, pela reportagem “Projeto Genoma Humano e o seguro de vida”.

Helder Molina anunciou que a terceira edição do prêmio — cujo lançamento será em setembro — terá incluída a categoria estudante, para promover a participação de alunos de Jornalismo de todo o País.

Debate

                   Ancelmo Gois

Em seguida, teve início o debate sobre o tema “A influência da tecnologia no futuro da mídia”, que reuniu o colunista do Globo Ancelmo Gois e os jurados do prêmio Heloísa Magalhães, do Valor Econômico; George Vidor, da GloboNews; e Denise Bueno, da Gazeta Mercantil.

Ancelmo Gois salientou a necessidade de os jornalistas se filiarem à ABI, que, na sua definição, “é a casa da liberdade”. E chamou a atenção para o grande número de mulheres presentes, numa prova, brincou ele, de que “a imprensa de papel não está ameaçada, o que está ameaçado é o macho nas redações”. O colunista citou o estudo de um jornalista norte-americano, que há anos prevê que o último jornal vai circular na primavera de 2043, e que Marcos Sá Corrêa acha que o jornal impresso vai durar no máximo mais 20 anos. E disse discordar dessas profecias, porque dados recentes demonstram que as tiragens dos jornais estão em crescimento. Em 2007, a circulação de jornais no mundo inteiro cresceu 2,7%; no Brasil o crescimento foi de 11,8% e, no primeiro trimestre de 2008, as receitas de publicidade tiveram aumento de 24%:
— O jornal não vai acabar. A internet vai ter de comer muito cuscuz para superar os jornais — declarou o jornalista, que calcula a circulação atual dos diários no Brasil em 8 milhões de exemplares.

Para o colunista do Globo, o jornalismo eletrônico tem amplo campo de expansão, em função de haver hoje no Brasil 34 milhões de residências com computadores, o que representa um grande salto em relação 25 milhões de 2007. Ancelmo disse também que não há por que se impressionar com o jornalismo na internet, que é uma plataforma, “um trilho que transporta muita coisa e não apenas notícia”:
— Além disso, até agora os blogs não produziram um jornalismo de grande ressonância na opinião pública: Não vejo um grande jornalista na internet, nem uma grande matéria de repercussão que ela tenha produzido.