O chileno encerra as atividades


18/09/2012


O fechamento do jornal La Nacíon, do Chile, foi denunciado pelo sindicato dos jornalistas do diário estatal. O governo chileno, que detêm 70% das ações do jornal, convocou uma reunião extraordinária de acionistas para o próximo dia 24, para discutir, entre outros assuntos, o fechamento do jornal. A iniciativa privada controla 30% das ações do veículo.—Mais uma vez, os cidadãos, as pessoas comuns ficaram de fora da distribuição de poderes e recursos que, desta vez, pretende dizimar a história da mídia, diz o texto do sindicato. Propomos ao governo que a publicação se transforme em um veículo autônomo, com financiamento misto, afirmou o sindicato.
 
Segundo o Colegio de Periodistas de Chile, o fechamento do La Nacíon “representa um atentado à liberdade de imprensa que prejudica o direito à informação dos cidadãos e vai concentrar ainda mais o mercado de mídia”. De acordo com a entidade, o presidente chileno Sebastián Piñera afirmou ser favorável ao fechamento do jornal durante a sua campanha eleitoral.
 
Após a eleição de Piñera, em 2010, a versão impressa do La Nacíon foi suspensa. O governo teria alegado razões econômicas, como a queda da circulação e a fuga de anunciantes. Desde então, o jornal opera apenas na versão online (www.lanacion.cl site) com cerca de trinta jornalistas na redação. 
Fundado em 1917 por Eliodoro Yañez, o La Nacíon foi presidido por Carlos Dávila até 1927, e competia com os jornais El Mercurio, Las Utimas Noticias, El Diario Ilustrado, entre outros. O objetivo de seu fundador, Eliodoro Yáñez, era “dar atenção prioritária aos problemas sociais que afetam a população e que representam a atividade do trabalho e do progresso econômico”. 
 
Em julho de 1927, na ditadura do general Carlos Ibáñez del Campo, o jornal foi expropriado e se tornou órgão oficial do governo. Seu legítimo proprietário, Eliodoro Yanez, deixou o Chile e permaneceu no exílio até 1931, quando retornou ao país e não mediu esforços para recuperar o La Nacíon. Yanez morreu em 1933, sem receber a indenização pela expropriação do veículo. Até hoje, o Estado chileno não assumiu a dívida com os herdeiros do fundador.
O jornal circulou continuamente até 11 de setembro de 1973, quando foi ocupado pelas Forças Armadas do Chile, que trocou o nome La Nacíon para La Patria, e mais tarde, em 1975, para El Cronista
 
Somente em 3 de junho de 1979, voltou a se chamar La Nacíon. Durante os anos 1980, foi o jornal oficial do governo de Augusto Pinochet, publicando escritos de propaganda militar.
 
Em 2009, o então candidato à presidênciaSebastián Piñera, da frente de centro-direita Coalizão pela Mudança, revelou seu descontentamento com a cobertura que o La Nacíon teria dado ao candidato da frente Concertación, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, e anunciou que caso fosse eleito, fecharia o jornal. Também impediu a entrada de repórteres do jornal para um evento de sua campanha. No entanto, algum tempo depois Piñera se retratou, afirmando que “o jornal La Nacíon era um veículo pluralista.
 
 
 

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