18 de agosto de 2022


Molon: falta vida e moradia no Centro do Rio de Janeiro


28/09/2016


Fotos: Flavio Saturnino

Ivan Proença, Jansen de Oliveira, Domingos Meirelles e Jesus Chediak entrevistam Alessandro Molon (C). Fotos: Flavio Saturnino

 

O deputado federal Alessandro Molon, professor de Direito da PUC do Rio, foi o quinto candidato a prefeito sabatinado pela diretoria da ABI. Ele foi entrevistado pelo presidente Domingos Meirelles, Jesus Chediak, diretor de Cultura e Lazer, Ivan Proença, presidente do Conselho Deliberativo, e o advogado Jansen de Oliveira. Já participaram da rodada de entrevista os candidatos à prefeitura Cyro Garcia (PSTU), Jandira Feghali (PCdoB), Hugo Leal (PSB), vice na chapa de Indio da Costa, e Carlos Osório (PSDB).

Revitalização do Centro

Molon disse que uma de suas prioridades é a revitalização do Centro da cidade do Rio de Janeiro para permitir que as pessoas voltem a morar perto do seu local de trabalho, como aconteceu no passado. Ele pretende estimular a construção de moradias em áreas do Centro para que a população deixe de residir na periferia, em locais distantes do seu emprego, e passem a viver em locais mais aprazíveis.

“O Centro é um dos lugares mais bonitos da cidade, com belas edificações, muito verde e oferece um bom traçado urbano que nunca foi bem aproveitado pelas antigas administrações.”

O quadro atual mostra que a maioria dos trabalhadores mora na zona oeste e trabalha no Centro.

“O mapa cultural da cidade mostra que a área central do Rio é bem servida de equipamentos, mas que não são utilizados pela prefeitura. Vários teatros do município estão fechados e o lazer concentrou-se apenas no tradicional bairro da Lapa.”

Segurança

Molon é contra armar a Guarda Municipal, como defendem alguns candidatos. Ele pretende implantar um novo conceito de atuação da Guarda Municipal, desenvolvendo um trabalho de inteligência e planejamento inteiramente moderno a fim de que ela atue em sintonia com a Polícia Militar.

“A Guarda Municipal poderá detectar a existência de problemas em áreas de menor risco e assessorar a PM, com conjunto de informações que permitirá oferecer uma segurança mais eficiente à população.

“A sabedoria grega ensinava que era mais barato educar do que prender. Esse tipo de proposta vai fazer com que a Guarda melhore o serviço atualmente desenvolvido pela Polícia Militar. Ele acha que a prefeitura pode fazer muito na área da segurança pública.”

Mobilidade

O candidato disse que uma de suas prioridades será a redistribuição dos ônibus na cidade. Ele vai providenciar um estudo de mobilidade urbana, com a participação da COPPE, da UFRJ, para atender melhor a população, principalmente aqueles que foram prejudicados com as medidas drásticas tomadas pela atual gestão. Molon destacou que acredita no transporte de trilhos. Ele acha que a SuperVia deveria funcionar como fosse um metrô de superfície, ampliando sua capacidade de atendimento à população.

“Mobilidade é também ciclovia e calçada. Vou ampliar as ciclovias, principalmente na zona oeste que tradicionalmente sempre utilizou essa alternativa de transporte.”

Molon disse que vai melhorar o calçamento de toda a cidade por considera-lo muito ruim.

“Quero também concluir a Linha 2 do Metrô que parou na estação do Estácio e não seguiu para a Praça 15. Temos uma estação pronta na Carioca há mais de 30 anos sem utilidade que poderia também ser estendida até a Praça 15. Defendo o Metrô na madrugada pelo menos de hora em hora para que as pessoas que trabalham ou que se divertem no Centro tenham mais uma alternativa de transporte ”, observou.molon-pequena

Saúde

Molon disse que a vida é o bem maior do cidadão. A saúde é o ponto mais vulnerável da atual administração.

“O público não tem ideia da quantidade de pessoas que procuram os serviços médicos e tem os seus exames marcados para quatro, seis meses depois. Muitos morrem ou tem a doença agravada até a data marcada para o exame. Alguns jamais são atendidos. Vou dar prioridade ao atendimento médico, com a contratação de mais profissionais e a ampliação da rede hospitalar existente.”

Pós Olimpíada

A manutenção das Arenas Olímpicas foi também tema da entrevista. Para o candidato, a atual gestão da prefeitura adotou prioridade para atender interesses da especulação imobiliária, implantando o Parque Olímpico em uma área distante e extremamente valorizada que recebeu recursos expressivos em termos de infraestrutura. O critério adotado foi exatamente oposto ao de Londres, que em 2012 preferiu implantar as suas principais arenas em áreas mais carentes .

“Londres escolheu a região mais pobre e carente para construir seu Parque Olímpico, visando a recuperação da região e dos futuros usuários dos equipamentos. O Rio construiu na área mais valorizada. Implantou um projeto que atende apenas os interesses do chamado andar de cima. Vamos desenvolver estudos para que esses equipamentos tão distantes sejam também disponíveis à maioria da população”, comentou.

O grande legado deixado pela Olimpíada, segundo ele, não foi a construção das arenas mas a oportunidade que o Rio teve de receber tantos turistas para conhecerem as belezas naturais da cidade.

“A prefeitura não teve a percepção de aprender as lições oferecidas por esse momento tão especial para o Rio de Janeiro. Era a hora de ter oferecido um calendário turístico permanente que voltasse a atrair essa multidão que veio assistir as Olimpíadas.”

Molon disse que é um absurdo Buenos Aires receber mais turistas que o Rio de Janeiro que tem muito mais belezas naturais a oferecer do que a capital da argentina. Segundo ele, a prefeitura não entendeu que o turismo pode ser uma excelente fonte de renda para o município.

“Com os recursos obtidos pelo turismo poderia se desenvolver o que eu chamo de tripé fundamental para a gestão de uma cidade que é a saúde, a educação e a segurança.”

Turismo e lazer

O candidato da Rede Sustentabilidade destacou que pretende fazer do turismo uma fonte constante de renda para o município. Molon pretende decentralizar o Carnaval de rua para outras regiões, além do Centro e Zona Sul.

“Quero turismo e cultura nas ruas do Rio. Vou fazer uma licitação para a organização do Carnaval. Vamos aproveitar ainda o potencial do Rio e organizar uma feira no meio do ano sobre as novidades da Sapucaí. São mais de 900 cidades no mundo que têm carnaval. Imagina ter pessoas dessas cidades aqui vendo as inovações, fantasias, instrumentos do Carnaval daquele ano? É uma ideia simples, mas que pode trazer grande retorno. Quero também estimular a arte na rua, direcionando parte do ISS para esse projeto”, adiantou.

Esquerda contemporânea

Molon posicionou-se como um candidato da “esquerda moderada” que tem uma concepção política diferente da esquerda tradicional.

“Não podemos continuar fiéis a posições que eram defendidas no século XIX. O tempo mudou. Precisamos aprender como superar rapidamente as desigualdades. A esquerda que eu defendo cultiva uma política de alianças. Não dá para imaginar que pelo radicalismo se ganhe eleição ou se governe. Você tem que construir alianças. Isso não significa que se deva fazer aliança com qualquer um. O equilíbrio está no meio termo. Alianças programáticas são sempre bem recebidas”, explicou.

O candidato destacou ainda que o radicalismo não constrói.

“É preciso aprender a construir pontes que facilitem uma troca de ideias e de percepções de mundo. Não podemos continuar defendendo eternamente políticas do passado.”

O jogo não terminou

O presidente da ABI, Domingos Meirelles, sustentou que a eleição do Rio, pela importância política da cidade, é mais importante que a de São Paulo. Ele perguntou se Molon concordava com essa opinião.

“Historicamente, as eleições do Rio repercutem em todo o país. O Rio é uma espécie de tambor. O que acontece aqui ecoa por todo o país. A eleição ainda não está definida. A população carioca sempre pensa muito antes de apertar o botão. O número de indecisos é surpreendentemente grande. O debate da TV Globo, de quinta-feira, vai sinalizar uma tendência, embora eu não acredite em pesquisa. Ele será fundamental para que o eleitor saiba escolher em quem votar no dia 2 de outubro.”

*Publicado em: 28 set, 2016 às 13:47

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