Luciana Garcia


08/03/2007


“O dia da mulher completa 96 anos em 2007. O marco que deu início a esta data, além do reconhecimento do trabalho feminino nos campos político, industrial e econômico, foi a grande tragédia na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, onde 129 costureiras morreram queimadas protestando por melhores condições de trabalho. Nesta época, as mulheres ainda estavam começando a experimentar o gosto da liberdade financeira e da vida nos grandes centros.

No campo do mercado de trabalho, a revolução industrial ainda gera frutos. As mulheres têm preferido as atividades que lhes permitam valorizar seu potencial intelectual, exercitar o raciocínio crítico e firmar-se como ‘iguais’ perante o universo masculino. Quem sabe por isso tantas garotas marquem um ‘xis’ na opção jornalismo na hora de escolher uma carreira. Talvez a sua habilidade natural nas relações humanas tenha ajudado a inchar as estatísticas que as apontam como maioria crescente não só nas universidades como nas redações. Entretanto, é uma carreira ingrata: não há horários, fins de semana, tempo para si, tempo para a família — além de recair sobre a mulher-jornalista o razoável peso de referência social. Muito da rotina da época universitária é deixada de lado para que a jornalista possa assentar-se na carreira de formadora de opinião. Abandonam-se as atividades sociais, a rotina comum a qualquer profissional, o despojamento no visual, enfim, tornar-se jornalista é entrar num padrão com regras não muito claras: difícil, árduo e mutante. Porém, a música não pode parar. Tornamo-nos iguais para poder olhar o mundo e enxergar as diferenças. Embora muita gente diga que não, o jornalismo precisa de uma mão de parcialidade. E as mulheres, habituadas a negociar sempre e a serem mais condescendentes com tudo, têm mostrado que podem — e sabem — como isso precisa ser feito.

Particularmente, acredito que o jornalismo traga uma visão de mundo muito crua. É preciso abandonar os sonhos e mergulhar numa realidade dura. Talvez não a sua, mas a das pessoas e fatos com os quais você ira conviver no dia-dia do seu trabalho. Também aí, as mulheres se mostram menos frágeis que os homens: optam por ver, relatar, documentar — em momentos em que, o que mais se queria, intimamente, é dar a mão, oferecer um lenço ou uma cesta básica. Que nenhuma mulher, jornalista ou não, se esqueça: noventa e seis anos depois, ainda há muito a ser feito. Não só no campo profissional, mas em todos os aspectos da vida em sociedade.”  

Luciana Garcia — Jornalista e Especialista em Propaganda e Marketing (Rio de Janeiro-RJ) 

    

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