Jornalistas pedem mudanças na formação de policiais militares


14/04/2014


Torves acredita haver o hábito de confundir os jornalistas com a linha editorial dos veículos. (Crédito: Agência Câmara)

Torves acredita haver o hábito de confundir os jornalistas com a linha editorial dos veículos. (Crédito: Agência Câmara)

Sindicatos de jornalistas e representantes do Ministério da Justiça participaram, na última sexta-feira, 11 de abril, de um debate na Câmara sobre os recentes episódios de violência policial contra profissionais de comunicação que cobrem os protestos de rua. Na audiência pública, promovida pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, comunicadores pediram mudanças na formação de policiais.

De acordo com o diretor de relações institucionais da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), José Carlos Torves, afirmou que dois terços das agressões sofridas pelos jornalistas partiram da polícia. “Nós já expressamos ao Ministério da Justiça que é preciso rever a formação dos policiais, que ainda estão sendo formados como no período da ditadura. Jornalistas, quando identificados em uma manifestação, muitas vezes são agredidos e têm seu material apreendido. Isso não pode mais ocorrer”.

Torves, que também representou a Central Única dos Trabalhadores (CUT), afirmou que as agressões de manifestantes vieram de grupos violentos infiltrados nos protestos, e cita como exemplo a morte do cinegrafista Santiago Ilídio de Andrade, da TV Bandeirantes, em março. O diretor da Fenaj acredita haver o hábito de confundir os jornalistas com a linha editorial dos veículos.

Grupo de trabalho

A Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça criou um grupo de trabalho com associações de jornalistas e de empresas jornalísticas para buscar diretrizes que auxiliem a proteção desses profissionais e o livre exercício da profissão. O grupo de trabalho deve se encerrar suas atividades em abril.

Segundo o assessor da Secretaria Nacional de Segurança Pública Guilherme Leonardi, esse grupo vai apresentar orientações para redução do risco no trabalho, como o uso de equipamentos de proteção.

Segundo Leonardi, o grupo definirá orientações sobre como se preparar para a manifestação, como proceder durante a manifestação e, posteriormente, também como avaliar o que ocorreu, quais foram os danos, o que poderia ter ocorrido de forma diferente, o que poderia ter sido evitado. “São para todos os espectros. É importante que a gente reconheça o papel dos profissionais de comunicação, das entidades que possuem os veículos de comunicação e também dos profissionais de segurança.”

Para o deputado Policarpo (PT-DF), debates como o realizado pela Comissão de Trabalho são importantes para chamar a atenção sobre o tema. “Que esse debate sirva não apenas para permitir que o trabalho do jornalista seja feito com tranquilidade, mas ao mesmo tempo que chame atenção para esse problema. As pessoas têm que se manifestar, tem que fazer suas manifestações, mas de forma livre e sem violência, né?”

*Com informações da Agência Câmara

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