Jornalista da Al Jazeera renuncia à nacionalidade egípcia para ser liberto


Por Igor Waltz*

03/02/2015


Mohamed Fahmy

Mohamed Fahmy

O repórter da rede de TV Al-Jazeera Mohamed Fahmy, que tem cidadania egípcia e canadense, renunciou a sua nacionalidade egípcia para ser libertado rapidamente e expulso do país. Ele foi preso em dezembro de 2013, junto a outros jornalistas da emissora catariana, acusado de apoiar a Irmandade Muçulmana do presidente Mohamed Mursi, deposto naquele ano. Fahmy deve ser solto nos próximos dias e será deportado para o Canadá.

Na segunda-feira, 2 de fevereiro, o ministro canadense das Relações Exteriores, John Baird, afirmou que a libertação de Fahmy era iminente, depois que a justiça egípcia libertou no domingo, dia 1º, o jornalista australiano Peter Greste. Uma lei egípcia promulgada em novembro autoriza, por meio de decreto presidencial, a expulsão de estrangeiros condenados a prisão. A decisão foi comemorada pela comunidade internacional, que se mobilizou pela libertação dos profissionais de imprensa.

“Ele assinou os documentos há mais de uma semana para indicar que renunciava a sua nacionalidade egípcia”, revelou o irmão do jornalista, Adel Fahmy. De acordo com Adel, as autoridades egípcias deram a ele uma escolha: “renunciar à nacionalidade ou à liberdade”.

“Foi uma decisão muito difícil. Ele tem muito orgulho e vem de uma família patriótica de oficiais e militares de alta patente, que defenderam o país e lutaram suas guerras”, afirmou.

A noiva de Fahmy disse que espera que ele seja libertado logo da prisão de Tora, no Cairo, e deportado para o Canadá. “A deportação está no estágio final. Estamos otimistas”, disse Marwa Omara.

Prisão

Os repórteres foram detidos, junto com o egípcio Baher Mohamed, acusados de trabalhar ‘ilegalmente’ no Egito e de terem “falsificado” informações sobre a violenta repressão das manifestações islamitas, depois que o presidente islamita Mohamed Mursi foi destituído em julho de 2013.

Greste, Fahmy e Mohamed estavam produzindo conteúdo em inglês para a Al JAzeera quando foram detidos. Greste, correspondente experiente, trabalhou anteriormente para a CNN, Reuters e BBC. Fahmy, chefe do escritório do canal catariano no Cairo, também trabalhou para a CNN.

Em junho de 2014 Greste e Fahmy foram condenados a sete anos de reclusão. O produtor egípcio Baher Mohamed foi considerado culpado por posse de arma de fogo e sentenciado a cumprir dez anos de prisão.

Campanha pela libertação

A Al Jazeera sempre rejeitou as acusações contra seus jornalistas e mantém a convicção de inocência de seus funcionários. Para a rede do Qatar, os jornalistas estavam apenas exercendo sua profissão e conversando com todos os lados envolvidos nos conflitos políticos no Egito.

A Irmandade Muçulmana, que apoiava Mursi, foi considerada uma organização “terrorista” pelo governo egípcio pouco antes de os acusados ​​serem presos. A acusação produziu uma série de itens como “prova”, incluindo um podcast para a BBC – uma reportagem em áudio feita enquanto nenhum dos acusados ​​estava no Egito. Entre as “provas” também está um vídeo pop do cantor australiano Gotye e diversas “músicas que são contra as questões egípcias” encontrados nos celulares dos jornalistas.

A defesa sustentou que os jornalistas foram injustamente presos e que a promotoria não conseguiu provar nenhuma das acusações contra eles. O diretor de conteúdos em inglês da Al Jazeera, Al Anstey, disse que os veredictos desafiam “a lógica, sentido e qualquer aparência de Justiça”. Em uma declaração publicada no site da rede, Anstey afirma que: ”três colegas e amigos foram condenados e continuarão a ser mantido atrás das grades por terem feito um trabalho brilhante de ser grandes jornalistas”. Para o diretor da Al Jazeera, os jornalistas são “culpados por defenderem o direito das pessoas de saber o que está acontecendo no mundo”.

A Al Jazeera disse que a sua campanha para libertar os jornalistas do Egito não terminaria até que os três fossem soltos.

* Com informações da Reuters e da AFP

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