“Invisibilidade” na hora de fotografar


05/11/2008


Aline Sá
7/11/2008

Rio-grandense nascido em 31 de outubro de 1975, Flávio Neves é um fotojornalista com um traço marcante na personalidade como profissional: a discrição. Tem ainda a humildade de se considerar sempre um aprendiz que enriquece seu repertório e amplia sua percepção a cada experiência, a captura de uma boa cena ou do momento preciso de um fato:
— Busco ser discreto e quase totalmente invisível em todas as pautas, pois na hora de registrar o que acontece tenho a oportunidade de observar e não ser observado, de capturar fortes expressões e ganhar imagens muito próximas da realidade. O tempo do fotojornalismo está cada dia mais rápido. Aprendi a aumentar também meu nível de agilidade para acompanhar a velocidade do jornalismo, que está cada vez mais instantâneo.

Flávio ingressou na faculdade de Jornalismo e, nas aulas relacionadas à fotografia, teve despertado o interesse pela área. O que ele ainda não sabia é que o ofício, ao qual se dedica há dez anos, se tornaria imprescindível em sua vida:
— Acho que a descoberta da paixão começou no primeiro contato com o processo de revelação em papel. Logo passei a fotografar fatos que considerava importantes, como passeatas, invasões de sem-terra, jogos de futebol… Mergulhei nesse mundo fascinante do fotojornalismo, em que é preciso ter sutileza para transmitir a verdade de forma sucinta e acurada.

Laboratório

Feitos os cliques, as fotos eram reveladas no laboratório da faculdade e comparadas com os trabalhos profissionais publicados nos jornais gaúchos, numa busca incessante de aprimoramento:
— Além disso, lia incansavelmente tudo o que se relacionava à fotografia. Conheci grandes mestres e aprendi o que pude sobre eles, o que amparou meus estudos. Isto, mais as comparações dos meus “copiões” em preto-e-branco com as imagens encontradas nas bancas locais, era a oportunidade que eu tinha para melhorar e chegar onde queria.

A carreira de Flávio inclui passagens por vários veículos do Sul do País e teve início no Diário Popular de Pelotas, primeiramente como freelancer. Depois vieram a Sucursal Rio Grande do Zero Hora, o Correio do Povo, a Agência Estado e o Diário Catarinense, que o levou a se mudar para Florianópolis. Mas o onde não é tão importante para ele, desde que esteja sempre clicando:
— A fotografia faz parte da minha vida, da minha casa, das minhas coisas, dos meus planos. Quando não estou trabalhando com ela, estou lendo sobre imagem, sobre outros fotógrafos, me atualizando. Vivo e penso fotografia diariamente. E me sinto realizado tendo como profissão algo que realmente gosto de fazer. Consultar e estudar o material de outros profissionais é fundamental para melhorar a técnica e desenvolver a sensibilidade. Toda a bagagem cultural influencia um fotógrafo. O que lemos, o que vivemos, o que somos, tudo isso é mostrado quando construímos uma imagem.

Para Flávio, nem sempre um assunto de grande repercussão representa um trabalho fotojornalístico de qualidade. E às vezes um tema de pequena importância ganha espaço na primeira página devido à competência do fotógrafo:
— Todo profissional quer estar sempre nos grandes acontecimentos. Porém, quando uma pauta simples, que quase ninguém acredita que possa render algo, ganha a capa do jornal, percebemos o valor da imagem jornalística. É esse trabalho que gratifica, que surpreende. E é necessário estar sempre atento: em uma fração de segundo, podemos ter a grande foto.

Predominância

No blog do fotógrafo gaúcho, www.flavioneves.com.br, as fotos esportivas predominam. E, segundo ele, são resultado de muito treino e estudo detalhado de cada time, até saber o melhor instante para capturar as cenas:
— Com o tempo, acabei me especializando na editoria de Esportes, principalmente em futebol. Tenho de ser muito rápido e, muitas vezes, prever as jogadas. Para isso, estar sempre bem informado, saber do momento que vive cada time e cada jogador.

A instantaneidade característica da foto esportiva pode ser considerado um obstáculo, mas, do ponto de vista da grande variedade de reações das pessoas envolvidas neste tipo de evento, é ponto favorável para o trabalho do fotojornalista, diz Flávio:
— Esporte é ação, e em alta velocidade. Tem emoção, vibração, decepção… Não são apenas lances, mas expressões que podemos buscar durante uma partida de futebol. Em cada jogo, pode-se ter um “melhor momento” diferente. Não adianta tentar agir premeditadamente. O máximo que podemos fazer é buscar um bom posicionamento e manter o dedo no gatilho, à espera do inesperado.

Com planos de fazer pós-graduação em sua área, Flávio recomenda a quem se interessa por fotografia e quer ingressar no mercado de trabalho:
— Estude muito sobre a história da fotografia e os grandes mestres, pois o conhecimento é a base de tudo. E, na hora de clicar, transmita seu sentimento através da lente, mas primando sempre pela verdade.


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