Hugo Chávez repudia agressão a jornalistas


26/03/2012


Em meio a uma nova crise entre o seu Governo e a mídia local, o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez um pronunciamento de indignação com membros da coalizão de partidos opositores a seu Governo, acusados de agredir jornalistas do Sistema Nacional de Meios Públicos (SNMP).  Uma das vítimas foi o apresentador Pedro Carvajalino, da Venezolana de Televisión (VTV), atacado enquanto cobria um evento em Caracas.
 
Carolina Zapata, correspondente da VTV em Táchira, e Llafrancis Colina, diretora de informação do canal Ávila TV, também teriam sofrido agressões durante cobertura da campanha de Henrique Capriles Radonsky, principal adversário de Chávez na corrida presidencial. 
       
Apesar de ter se colocado a favor dos jornalistas agredidos, Hugo Chávez continua em crise com a mídia, pois o Presidente afirmou que “os meios de comunicação da direita estão chegando a um perigoso desespero”. Ele acusou ainda a imprensa de “intensificar uma agenda do medo”, e pediu aos órgãos de inteligência que ficassem atentos aos “grupos de extrema-direita irracional que se vêem perdidos”.
 
O pronunciamento do líder venezuelano reacendeu o debate sobre a liberdade de imprensa no país. Chávez acusou a oposição venezuelana de promover um “terrorismo midiático” contra seu Governo, em meio a problemas com o abastecimento de água na região central do país, na cidade de Caracas e nos estados de Arágua, Miranda e Carabobo.
 
A crise teve seu auge na semana passada, quando Henrique Salas Feo, Governador de Carabobo, denunciou que a água estaria contaminada, porque as estações de tratamento não funcionam.
 
Em reunião com o Conselho de Ministros no Palácio de Miraflores, o líder venezuelano pediu a investigação dos responsáveis pela contaminação da água, mas não deixou de acusar seus opositores:
— Não podemos ficar de braços cruzados diante de tais campanhas. Isso é terrorismo e não pode ser permitido assim. Temos que atuar, ao menos para abrir uma investigação e citar quem está dizendo isso [as acusações de contaminação].
 
Na semana passada, o Governo venezuelano determinou através de uma liminar emitida pelo tribunal 25 de Controle de Caracas, que somente permitirá a publicação de informações sobre o assunto que estiverem baseadas em um “informe técnico veraz, respaldado por um organismo competente.” A decisão foi defendida pela procuradora-geral da República, Luísa Ortega. Para ela, a decisão fará com que os meios de comunicação ajam com responsabilidade.
 
A medida revoltou órgãos e associações de imprensa, e colocou Chávez novamente em rota de colisão com os meios de comunicação. O Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) afirmou em nota que “a função dos órgãos estatais é atender às queixas da população, e não perseguir quem as torna públicas.” A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) definiu a ação do tribunal venezuelano como “um ato de censura puro e simples, motivado por razões políticas.”  
 
A polêmica também promete aquecer a corrida presidencial, já que o país vive a expectativa das eleições marcadas para o dia 7 de outubro. Radonsky aproveitou a ocasião para criticar o governo:
— O problema da contaminação da água não se resolve com decisões de tribunais que buscam encobrir denúncias da comunidade, e o pior que um governo pode fazer é tentar esconder informação. 
 
 
*Com informações do Portal Imprensa e Yahoo Notícias

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