Governo boliviano ameaça prender jornalista brasileiro


21/10/2008


Acusado pelo Governo boliviano de ser colaborador do Governador de Pando, Leopoldo Fernández, preso sob a acusação de genocídio, o jornalista Alexandre Lima, dono do jornal eletrônico O Alto Acre, da cidade de Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, passou também a ser alvo do Exército daquele país.

Alexandre Lima diz que ficou sabendo que havia um suposto mandado de prisão contra ele ao telefonar para um colega jornalista em Cobija, no último dia 11, para apurar sobre a visita que o Presidente Bolívia, Evo Morales, faria à Província de Porto Rico, para inaugurar uma escola.

Por precaução, desde que recebeu a notícia, ele não tem atravessado a fronteira para cumprir sua missão jornalística:
— Tentei me informar com as autoridades de Pando, mas não consegui localizar nenhuma queixa específica contra mim e amigos meus não localizaram nenhum mandado formal em meu nome, mas, como a região está sob estado de sítio, o Exército não precisa de mandado para pôr qualquer pessoa na cadeia.

Para se proteger, Alexandre Lima comunicou o fato ao Subcomandante do Exército brasileiro no Acre, Major Hélio Borgea, e ao Delegado da Polícia Federal Gustavo Rezio, que recomendaram que ele não atravesse a fronteira até que o caso venha a ser esclarecido. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também foram comunicadas.

Ordem de prisão

Mesmo sem poder confirmar a existência da expedição de uma ordem de prisão contra ele, Alexandre Lima diz que algumas fontes amigas já o vinham alertando de que poderia ser preso, caso fosse visto em solo boliviano:
— Estou quieto por aqui (Brasiléia-AC). Já estava me precavendo, pois alguns jornalistas tinham me avisado sobre essa situação. Acho que essa perseguição se deve ao fato de que o meu escritório passou a ser usado como base para jornalistas de todas as partes do mundo que estão cobrindo o que está acontecendo na Bolívia. Isso aqui virou um refúgio de colegas de veículos brasileiros, agências internacionais e até mesmo da Bolívia. Isso despertou a atenção das autoridades bolivianas.

Outra questão que, na opinião de Alexandre, pode ter motivado a decretação de sua prisão é o fato de ele ter denunciado em seu jornal a perseguição que as autoridades bolivianas vem promovendo contra jornalistas, além da prisão de pessoas comuns sem mandado judicial.

O Governo Evo Morales anunciou que poderá suspender a qualquer momento o estado de sítio. Mas Alexandre afirma que vai esperar que a situação se resolva definitivamente antes de voltar ao país para se defender das supostas acusações, inclusive de que tenha sido colaborador do Governador Leopoldo Fernández:
— O Ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, declarou recentemente que o Governador tinha montado uma rede de comunicação e comprado a imprensa de Pando, inclusive O Alto Acre, coisa que nunca aconteceu. Ele citou dois contratos que teriam sido feitos conosco, que eu nego que existam. Em 2007, prestei um serviço de artes gráficas para o Governador Leopoldo Ferández, de um folder e um cartaz, nada mais. Mas o Quintana insiste na existência dos contratos no valor de 36 mil bolivianos, o equivalente a R$ 9 mil.

De acordo com a Agência Amazônia, a insatisfação do Governo Evo Morales com Alexandre Lima começou devido a denúncias que ele e o jornalista boliviano Carlos Valverde, da Rede PAT, fizeram sobre os planos de Juan Ramón Quintana de tomada do chamado Oriente, região da Bolívia onde se concentram os governadores oposicionistas. Segundo a Agência, essas denúncias “abalaram seriamente a credibilidade do Ministro”.

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