Fotografia aliada à tecnologia e sensibilidade


01/03/2007


Rodrigo Caixeta 
02/03/2007

Cristina Lacerda diz que a fotografia sempre foi sua vocação. Ainda criança, fascinava-se quando seu pai eternizava os momentos familiares com uma antiga câmera sanfonada alemã. Fotografa profissionalmente há 22 anos — dois em Curitiba e 20 no Rio. Antes, porém, fez de tudo um pouco: foi professora em creche, funcionária pública nas secretarias de administração e cultura e esporte do Estado do Paraná e secretária em revendedora de caminhões Mercedes Benz.

Mesmo com todas as adversidades de um mercado disputado, Cristina conseguiu ser freelancer a vida inteira, desde que fugiu “do frio do Paraná para o calor do Rio de Janeiro”, em 1987:
— De lá para cá, tenho me dedicado à comunicação corporativa de empresas como Petrobras, Telemar, Eletronuclear, Amil, Bradesco Seguros, Telefônica, Vivo, Brascan, Editora Record, Toyota, Diners, Mastercard, Editora Senac Rio e várias empresas de eventos que me solicitam divulgação para veículos como Veja, Veja Rio, O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, Exame, Jornal do Commercio e Caras, entre outros.

Para se destacar na profissão, Cristina explica que o fotógrafo precisa ter curiosidade, amor pela estética, muita sensibilidade e paixão por aparatos tecnológicos. Aliás, a tecnologia é sua aliada:
— Adoro a agilidade das câmeras digitais porque posso variar a sensibilidade em cada foto e ver um pré-resultado instantaneamente. O poder de você deixar a imagem mais charmosa é maior ainda porque você pode tratá-la com o mesmo carinho dos processos químicos e o resultado é tão gratificante e artístico quanto. É outra arte, mas também é arte. É uma nova linguagem, que comunica, passa mensagens e emociona. Sendo que agora, como todo mundo tem uma câmera e fotografa, todos valorizam uma boa foto.

Cristina estreou na carreira com uma foto publicada na coluna social do Swann, em 1989. Acumula no currículo algumas importantes coberturas, como um Congresso Mundial de Petróleo, a Rio 92, a Cimeira (reunião de cúpula), edições do Volvo Ocean Race e do Match Race, a Copa Davis, o Fashion Rio, o Grande Prêmio Brasil de Turfe e grandes shows. Ela lembra que já passou por situações divertidas durante seus trabalhos:
— Engraçadas são as cantadas. Parece que a câmera é um objeto fálico. Certa vez, um ex-Governador do Rio, cuja saliência era notória, me deu carona até em casa. Ele deixou o motorista no carro, fez questão de subir até a porta do meu apartamento — porque disse que “uma dama não carrega peso” — e, chegando lá, roubou um beijo na boca, mesmo sem eu corresponder. Mais engraçado foi o porteiro perguntar, no dia seguinte, se quem me acompanhara era realmente quem ele pensara — brinca. 

Timidez

Modesta, Cristina nunca participou de um concurso fotográfico — “sou tímida por isso escolhi ficar atrás das câmeras”. Mas já promoveu uma mostra com o material de suas quatro visitas à Austrália:
— Tirei a timidez do armário para mostrar o que o Brasil pode aprender com aquele povo maravilhoso que sediou os Jogos Olímpicos de 2000.

Cristina considera que os profissionais de fotojornalismo são mal remunerados, mas o trabalho é excitante. Recomenda aos candidatos a uma vaga neste mercado que estudem e ousem. Ela reconhece alguns profissionais inspiram a sua atividade:
— No Brasil, admiro o trabalho de Walter Firmo e Evandro Teixeira, entre outros. Também sou apaixonada pelas fotos de John Hedgecoe e adoraria um curso com ele, que já tem idade avançada.

Entre seus projetos está a produção de uma exposição de fotos aéreas, que vem colecionando há pouco mais de dez anos:
— No futuro, quero também divulgar mais o meu estilo de trabalho, dar aulas e montar uma agência especializada em promover o ofício dos fotógrafos brasileiros no exterior. E atualmente trabalho na atualização de meu site.

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