“Filha da Anistia”em cartaz no Rio


14/04/2011


A peça teatral “Filha da Anistia” dirigida por João Otávio, estreia no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 14, às 19h, na Escola de Teatro, Sala Pachoal Carlos Magno, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro(UNIRIO), localizada na Av. Pasteur, 436, Urca Zona Sul do Rio de Janeiro – RJ.
 
Promovido por Caros Amigos Cia de Teatro, da Cooperativa Paulista de Teatro, em parceria com o Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o espetáculo estreou em março de 2010, em São Paulo, e vai percorrer diversas capitais do país. Ao final da peça, o público participa de um debate com o elenco e convidados locais. 
 
“Filha da Anistia” conta a história de uma jovem que parte em busca do pai que nunca conheceu e acaba descobrindo um passado de mentiras e omissões forjado durante os anos de chumbo no Brasil.
 
Carolina Rodrigues e Alexandre Piccini, co-autores e atores da peça, escreveram o roteiro após três anos de pesquisas o golpe de 1964, em arquivos públicos e bibliotecas. Jornais, livros, teses e biografias ajudaram a compor o amplo cenário de resistência ao regime autoritário:
—Buscamos produzir algo que vasculhasse o inconsciente coletivo e, fora da racionalidade incapacitada pela conjuntura histórica, tornasse este trauma mais nosso, mais visível, mais elaborável, explicou Carolina.
 
De acordo com o Diretor do espetáculo, João Otávio, o vigor da montagem é marcado pela simplicidade:
—A tensão dos diálogos é a própria materialização da violência, fugindo de fórmulas prontas, como cenas de tortura, por exemplo. O jogo cênico é o mais importante. O confronto entre os personagens, as perspectivas, e a visível reação da plateia não permitem diálogos que explorem o didatismo ou mesmo uma mão pesada no discurso político.
 
Para Alexandre Piccini, o envolvimento do público com os acontecimentos do período é um diferencial da montagem:
—Nossa intenção é desfazer a sensação de que o que aconteceu só diz respeito aos diretamente envolvidos. Buscamos o tom exato para que o público se identifique com os personagens e compartilhe dos seus sentimentos, entendendo que a brutalidade da ditadura poderia ter atingido qualquer um de nós. Mas também procuramos manter um distanciamento crítico para alcançarmos racionalmente a compreensão de que o passado é a raiz do presente. Lá estão as origens de muitos dos problemas que vivenciamos hoje. A brutalidade da ditadura continua nos atingindo: educação, cultura, segurança, economia e política dizem respeito a todos nós.  
O jornalista, escritor e artista plástico Alípio Freire, integrante do Núcleo de Preservação da Memória Política, estará presente em todos os debates. Militante na organização clandestina Ala Vermelha entre 1967-1983, Alípio foi preso no período entre 1969 e 1974. O jornalista integra os conselhos editoriais dos veículos “Fórum”, “Teoria & Debate”, “Revista Sem Terra”, “Brasil de Fato” e “Página 64”, e a Editora Expressão Popular.
 
Os debates vão contar com as presenças de Jessie Jane (UFRJ), no dia 14; Wadih Damous, Presidente OAB-RJ, e Cid Benjamin, assessor de imprensa da OAB, no dia 15, às 19h; Ana Muller, advogada e fundadora do CBA-RJ, no dia 16, às 16h, e às 19h, Luiz Alberto Sanz e representantes da ABI; e Maria Paula Araújo(UFRJ), no dia 17, às 19h.
 
Mais informações pelos endereços www.filhaadanistia.blogspot.com e filhadaanistia@gmail.com.
 

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