Euclides da Cunha, Hemingway, Capa, Korda, Bresson: o legado do front


10/02/2005


A cobertura de guerras legou à Humanidade dois dos maiores gênios da literatura universal. No Brasil, o escritor Euclides da Cunha cobriu a Guerra de Canudos, em 1897, como enviado do jornal O Estado de São Paulo. A partir de suas anotações escreveu “Os Sertões” (1902), em que explica a guerra como o embate entre dois processos de mestiçagem: a litorânea e a sertaneja. 

Um dos principais representantes da “geração perdida”, ciclo literário norte-americano iniciado nos anos 20, Ernest Hemingway também começou sua carreira de escritor no front. Cobriu para a Associação Norte-americana de Jornais a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e em agosto de 1944, no fim da Segunda Guerra, foi o primeiro correspondente aliado a entrar em Paris.

Na fotografia, Robert Capa, Henri Cartier-Bresson e Alberto Korda eternizaram com suas lentes momentos que se tornaram históricos. 

O desembarque das tropas na Normandia por Robert Capa.

O húngaro Capa (1913- 1954) registrou com sua máquina alguns dos grandes acontecimentos da história mundial: a Guerra Civil Espanhola, a invasão da China pelo Japão, em 38, o desembarque dos aliados na Normandia, em 1944, e o nascimento do Estado de Israel, em 1949. Costumava dizer “se a foto não está boa é porque não cheguei perto o suficiente”. Coerente até o fim, morreu em 1954 ao pisar numa mina durante cobertura da Guerra da Indochina. 

O francês Cartier-Bresson, falecido em 2004, começou sua carreira em 1931. 

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     A China de Cartier-Bresson.

Registrou com sua Leica os últimos dias da Revolução Chinesa, em 1949, e a Índia de Ghandi, inclusive o líder momentos antes de seu assassinato, em 1948.
Em 1947, fundou ao lado de Capa, George Rodger e Davi Seymour a agência Magnum, que detém o acervo fotográfico mais expressivo da história do século XX. 

O cubano Alberto Días Gutierrez (1928-2001) ficou mundialmente famoso ao tirar a foto mais conhecida do líder revolucionário Ernesto Che Guevara para o jornal Revolución. Em entrevista recente concedida ao jornalista Jose Aurélio Paz, do jornal cubano Invasor, Korda, como era conhecido, explicou da seguinte forma como conseguiu a foto histórica: 

O Che, eternizado por Korda.

“Esta foto foi um acaso do destino. Cinco de março de 1960. Ato pelo enterro das vítimas da explosão do vapor La Coubre e Fidel fala ao povo. É a primeira vez que pronuncia a famosa frase ‘Pátria ou Morte!’ Lá estou eu, no meio da multidão, como mais um, com uma câmera Leica, tirando fotos para o jornal (Revolución). O Che, que não gostava nada de aparecer, estava na segunda fila da tribuna e não era visto. Mas, num determinado momento, ele vai para a frente para ver a ira do povo com aquele atentado do imperialismo ianque, que causou um grande número de vítimas. Eu, que estou acompanhando com a minha máquina as personalidades da tribuna, me surpreendi com o seu olhar e aperto o obturador. Só tive tempo de fazer dois cliques, pois imediatamente o Che voltou para o seu lugar”. 

                                                                                  

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