Ermelinda Rita – A maioridade nas ondas do rádio


17/05/2007


Marcia Martins 
18/05/2007

 

A paixão começou quando ela ainda era menina. Ermelinda Rita ouvia todos os programas de rádio possíveis e, com o gravador da irmã, criava alguns noticiários, misturando música e entrevistas. Por isso, resolveu procurar estágio no Sistema Globo de Rádio quando cursava a faculdade de Jornalismo:
— Quando cheguei, não havia vaga. Então, no início eu ficava três vezes por semana no Departamento de Jornalismo, só para observar. Mas, por causa da minha agilidade, acabei sendo incorporada à equipe.

A jornalista acabou se adaptando ao estilo de cada um dos comunicadores, ou seja, procura dar informações corretas e com a agilidade que o rádio imprime, seguindo o perfil de quem está no ar.

O dia de Ermê — como é conhecida pelos “coleguinhas” — começa cedo. A primeira participação nos programas acontece às cinco da manhã, na Rádio Globo. Ao chegar à Redação, ela faz a ronda pelos batalhões da Polícia Militar. Apurar as condições do tráfego nas estradas e ocorrências em delegacias e Corpo de Bombeiros também faz parte da rotina:
— Preciso conseguir três notícias de momento em 25 minutos. Por isso é importante esta ronda bem cedo — explica.

Durante estes anos no Sistema Globo de Rádio, Ermê conseguiu diversas boas fontes em contatos pessoais, até porque antes da criação da CBN, em 1991, não existiam computadores e internet na Redação — os fatos tinham que ser apurados pelo telefone ou diretamente no local e quase todos viravam matéria e entravam no ar. Depois da implantação da CBN, as reportagens começaram a ser selecionadas, exigindo mais informação e rapidez na apuração das notícias.

Diversos fatos inusitados aconteceram durante estes 21 anos de carreira. Para Ermelinda, o fato mais engraçado que teve que ler no ar foi o seqüestro de uma tartaruga em Olaria, subúrbio do Rio. Na ocasião, um pedreiro ficou revoltado porque não recebeu o dinheiro pelo trabalho realizado na casa da dona do animal e o seqüestrou. Outro esforço para prender o riso no ar aconteceu com a notícia de um taxista que, durante uma enchente, resolveu resgatar um jacaré e levá-lo para casa. Mas nem tudo são flores na profissão. Dar a notícia da morte da atriz Daniella Perez, em 1992, e do menino João Hélio, de 6 anos, foi motivo de muita revolta e indignação.

 Sidney Rezende e Ermelinda

Homenagens

Ermelinda Rita já recebeu várias homenagens ao longo dos 21 anos de carreira, mas até nesses momentos tinha que ter um fato inusitado para contar: uma lontra do Jardim Zoológico do Rio foi batizada com seu nome. O fato ocorreu após uma série de brincadeiras com o apresentador do “Jornal CBN Rio”, Sidney Rezende, sobre o que fazer nos fins de semana — Ermê sempre dava a dica de um passeio ao Zoológico. Por este motivo, quando os funcionários da Fundação Rio Zôo fizeram um concurso para escolher o nome de quatro lontras que haviam nascido no local, Linda Rita foi um dos escolhidos.

Ermelinda também recebeu homenagens do Corpo de Bombeiros, do Comando Militar do Leste, da Câmara dos Vereadores do Rio e da Associação Brasileira de Hotéis, além de ter seu nome colocado no troféu de um torneio de futebol. Sobre o amor pela profissão e pelo veículo em que trabalha, derrete-se:
— Agradeço a Deus todos os dias por poder fazer alguma coisa para ajudar as pessoas. Quando você faz uma matéria, está ajudando alguém, seja informando, relatando um fato ou esclarecendo dúvidas. O rádio é o máximo. A rapidez da informação, a busca incansável da notícia e as amizades que a gente faz aqui me satisfazem plenamente.