Em novo livro, Rodolfo Konder fala do exílio


07/12/2009


A Biblioteca Bastos Tigre da ABI acaba de receber como doação o recém-lançado livro “O destino e a neve” (RG Editores, 2009), do jornalista e escritor Rodolfo Konder. A obra reúne uma série de crônicas escritas pelo autor sobre viagens que realizou a cerca de 20 países e 40 cidades.

Algumas dessas histórias marcam inclusive o período em que Rodolfo Konder esteve no exílio: a primeira vez entre 1964 e 1965, no México e no Uruguai, respectivamente. A segunda, entre os anos de 1976 e 1978, no Canadá e nos Estados Unidos:
— Este livro é uma espécie de roteiro. São textos de viagens, que marcam a trajetória profissional como jornalistas, e outros com abordagem política, quando menciono os meus dois exílios. No México e no Uruguai, onde eu conversei com pessoas como Jango e Brizola. E o segundo exílio no Canadá, depois que eu fugi do Brasil pela fronteira com a Argentina. Morei também um ano em Nova York.

Konder esteve detido pelo DOI-Codi de São Paulo juntamente com Wladimir Herzog, e foi a última pessoa a vê-lo com vida, antes da sessão de tortura e do cruel assassinato do qual foi vítima o jornalista, em 25 de outubro de 1975, pelos agentes da ditadura militar do golpe de 64.

As feridas desse pesadelo ele relembra no texto de abertura do livro, que fala do período em que se exilou em Nova York: “… na madrugada de frio e neblina, nos cafés, nas trilhas de ‘croos-country’ encontrei, aos poucos, o antídoto para as seqüelas da tortura”.

Na crônica “Nossos demônios”, escrita para o jornal O Mensageiro, em 2004, Rodolfo Konder relata o encontro que teve com o então Presidente João Goulart, em uma praça central de Montevidéu, antes de atravessar clandestinamente a fronteira com o Brasil, em Rivera e Santana do Livramento, conforme orientação do ex-Deputado Demistóclides Batista.

“Vi o presidente João Goulart pela terceira e última vez ao me despedir dele, em Montevidéu… O ex-Deputado e eu fomos encontrar o presidente numa praça central da capital uruguaia, onde eu o abracei. Ele me desejou sorte. “Estaremos esperando a sua volta”, eu disse, sem muita convicção”, escreveu Konder.

Segundo o autor, ao ler sobre as suas experiências de viagem como exilado e na condição de jornalista o leitor terá a oportunidade de conhecer os caminhos que ele percorreu e que lhe permitiram viver experiências diversificadas, a exemplo da missão na Guatemala quando era representante da Anistia Internacional no Brasil.

Segundo Konder o seu livro é uma grande viagem, mas que não é turística: — E uma realização que só foi possível pelo hábito que nós jornalistas temos de observar, registrar e pesquisar. Nós pesquisamos para dar a informação.

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