ABI destaca papel social do líder da Revolta da Chibata


Por Edir Lima

18/07/2016


Presidente da ABI, Domingos Meirelles, ao lado de Adalberto do Nascimento Cândido, o Candinho, filho caçula do João Cândido e presidente da Confraria

Domingos Meirelles, segurando placa de homenagem, ao lado de Candinho

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) promoveu, em sua sede, no Centro do Rio, no último dia 15, a formalização da Confraria João Cândido Felisberto com a Roda de troca de Saberes e Fazeres. O evento foi uma homenagem à memória de João Cândido, conhecido como ‘Almirante Negro’, líder da Revolta da Chibata, que ocupa um lugar de destaque na história do Brasil. Na ocasião, foram discutidos vários temas relativos à valorização dos heróis negros. No mês de junho deste ano comemorou-se 126 anos de nascimento do marinheiro.

O encontro contou com a presença do presidente da ABI, Domingos Meirelles; mestre Adalberto do Nascimento Cândido, o Candinho, filho caçula do João Cândido e presidente da Confraria; Professor João Batista; jornalista Wilson de Carvalho; analista político e teatrólogo, Ney Ostiz; diretor do jornal Notícia em Destaque, Germano Gonçalves; presidente da ONG Movimentação, jornalista e organizador do evento, João Carlos Agostinho Prudêncio; entre outros.

O presidente da ABI, Domingos Meirelles, lembrou de uma pesquisa que fez sobre o Encouraçado São Paulo, navio de guerra que participou da chamada Revolta da Chibata. Durante o estudo, descobriu que o navio era a “estratificação cruel da sociedade”.

“Os marinheiros, cerca de 1.500,  dormiam no convés, nos corredores. Tinham tratamento comparado aos escravos. A revolta tinha foco de denúncia social”, observou.

História

João Cândido Felisberto, conhecido como “Almirante Negro” foi um marinheiro brasileiro notório por ter liderado a Revolta da Chibata. Começou sua participação política cedo, aos 13 anos apenas, quando lutou a serviço do governo na Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, no ano de 1893. Com 14 anos se alistou no Arsenal de Guerra do Exército e com 15 entrou para a Escola de Aprendizes Marinheiros de Porto Alegre. Cinco anos depois foi promovido a marinheiro de primeira classe e com 21 anos, em 1903, foi promovido a cabo-de-esquadra, tendo sido depois novamente rebaixado a marinheiro de primeira classe por ter introduzido no navio um jogo de baralho. Serviu na Marinha do Brasil por 15 anos, tempo durante o qual viajou por este e outros países.

Participou e comandou a Revolta dos Marinheiros do Rio de Janeiro (Revolta da Chibata) no ano de 1910, movimento que trouxe benefícios aos marinheiros, com o fim dos castigos corporais na Marinha, mas que trouxe prejuízos a João Cândido, que foi expulso e renegado, vindo a trabalhar como timoneiro e carregador em algumas embarcações particulares, sendo depois demitido definitivamente de todos os serviços da Marinha por intervenção de alguns oficiais.

Atuou na política durante toda a sua vida. Durante o governo de Vargas teve contato com o líder da Ação Integralista Brasileira (AIB) e com o Partido Comunista, chegou a ser preso por suspeita de relacionamento com os integrantes da Aliança Liberal e até o fim da sua vida continuou sendo “vigiado” pelas autoridades, sendo acusado de subversivo.

O “Almirante Negro”, como João Cândido ficou conhecido, morreu aos 89 anos e teve ao todo 11 filhos ao longo dos três casamentos. Faleceu na cidade de São João do Meriti, no Rio de Janeiro.

 

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