Dois jornalistas são mortos durante massacre no Cairo, capital do Egito


Por Cláudia Souza*

14/08/2013


 

Massacre no Egito

Massacre no Egito

O cinegrafista Mick Deane, da emissora britânica Sky News, e a repórter Habiba Ahmed Abd Elaziz, do jornal Gulf News, com sede em Dubai, foram mortos, e o fotógrafo da Reuters, Asmaa Waguih foi baleado no pé, nesta quarta-feira, dia 14, durante a violenta remoção de dois acampamentos de apoiadores do presidente deposto Mohammed Mursi, localizados nas praças Rabaa al-Adawiya e Al Nahda. O ataque resultou na morte de centenas de pessoas.

De acordo com a Sky News, Mick Deane, de 61 anos, foi baleado e chegou a ser socorrido, mas morreu logo depois. Os outros jornalistas da equipe dele não foram feridos. Mick Deane trabalhava há 15 anos na Sky News. Ele era casado e tinha dois filhos. Em nota, a TV disse que Mick Deane era um brilhante jornalista, mentor e fonte de inspiração de vários colegas da empresa.

Ao tomar conhecimento da morte do jornalista, o primeiro-ministro britânico David Cameron demonstrou tristeza e disse que seus pensamentos estavam com a família e os colegas de Deane.

O jornal Gulf News informou em seu site que a jornalista Habiba Ahmed Abd Elaziz, de 26 anos, foi morta a tiros perto da mesquita Rabaah al-Adawiya, um dos locais dos acampamentos. O jornal informou que ela estava de férias.

O editor adjunto do Gulf News, Mazhar Farooqui, disse que os funcinários do jornal estão em choque.

– É difícil acreditar que ela se foi. Ela era apaixonada pelo seu trabalho e tinha uma carreira promissora pela frente.

Espancamentos

Enquanto fazia a cobertura dos confrontos na praça Rabaa al-Adawia, o repórter Mike Giglio, do Daily Beast, foi espancado e teve seu computador, identidade e celular apreendidos por forças de segurança.

— Eles tomaram o meu celular, a minha identidade. Abriram a minha mochila e encontraram o meu laptop. Ao abri-lo, apareceu a mensagem que perguntava a senha. Eu educadamente me recusei a revelá-la. Então, um deles me deu um forte tapa. Chegou a um ponto que havia vários policiais estavam me dando socos e tapas na cabeça. Foi quando eu desisti e digitei a senha.

Nas redes sociais há rumores sobre outros jornalistas que teriam sido presos e espancados. A repórter Bel Trew, do Cairo, disse ao El País que nunca viu um luta tão sangrenta no Egito.

—As forças de segurança nos mantiveram agachados atrás de carros debaixo de uma chuva de balas durante oito horas seguidas.

 Estado de emergência

O Egito decretou estado de emergência em todo o país durante trinta dias após o massacre, que teve início por volta das 7h da manhã.

Durante a operação, escavadeiras e tratores avançaram sobre as áreas dos acampamentos e foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

De acordo com testemunhas, os agentes agiram de forma brutal, sem dar aos manifestantes qualquer chance de reação ou fuga. Uma delas afirmou ao jornal Washington Post  que viu mais de 40 corpos no pátio de um hospital próximo a um dos acampamentos.

O Ministério do Interior do Egito informou, antes do início da operação, que as forças de segurança estavam tomando as “medidas necessárias” contra os acampamentos.

O vice-presidente interino do governo, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo em repúdio à ação violenta.

A Irmandade Muçulmana denunciou que pelo menos 300 pessoas foram mortas. O Ministério da Saúde do Egito, que a princípio falava em 15 mortos, atualizou os números oficiais para 95 mortos e 526 feridos. Horas depois o número de mortos aumentou para mais de 500 pessoas.

As forças de segurança tentaram impedir que a imprensa registrasse a ação, lançando bombas de gás lacrimogêneo em jornalistas.

Embaixada do Brasil

Em meio aos confrontos entre policiais e manifestantes no Egito, a Embaixada do Brasil no Cairo passou a funcionar a partir desta quarta-feira, 14, em regime de plantão. Em comunicado interno, a representação diplomática informa que a decisão foi tomada para facilitar os deslocamentos dos funcionários locais (em geral, egípcios) na cidade com segurança. Não houve registros de brasileiros feridos ou mortos. Não há orientações para retirada de funcionários nem suspensão de atividades na Embaixada do Brasil no Egito, até o momento.

Confrontos

Os tumultos no país começaram no dia 3 de julho, dia em que o presidente islamita Mohammed Mursi foi deposto por militares, um ano após ter sido eleito.

Durante o primeiro ano no cargo, ele se desentendeu com as instituições e setores da sociedade, e muitos egípcios achavam que ele estava fazendo pouco para resolver os problemas econômicos e sociais do país.

O Egito ficou dividido entre apoiadores de Mursi e seus opositores, que incluíam esquerdistas, liberais e secularistas.

Na última semana, o governo interino egípcio deu sinal verde para a desocupação dos acampamentos pelas forças de segurança. Os manifestantes haviam levantado os acampamentos para forçar a volta do presidente deposto.

*Com portal Terra, O Globo, ucho.info

 

 

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