Relatório da CPJ aponta os lugares mais perigosos para jornalistas


Por Igor Waltz*

10/01/2014


O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou nesta semana seu relatório anual sobre os lugares mais perigosos do planeta para o exercício da profissão de jornalista. Os dados são referentes ao período de 1992 a 2013 e colocam o Brasil como o 11º país mais violento do mundo, com a morte de 27 profissionais, entre jornalistas e funcionários de veículos de comunicação.

Ao todo, desde 1992, foram registradas pelo CPJ 1.040 mortes com motivos confirmados.  De acordo com o relatório, 44% dos jornalistas foram assassinados, enquanto 36% foram mortos em combate ou fogo cruzado, e 20% foram vitimados por algum outro tipo de trabalho perigoso. Cerca de 30% eram repórteres de veículos impressos, enquanto 24% eram de rádio e TV.

Com 161 mortes com causas confirmadas, o Iraque foi considerado o país mais violento. A CPJ relata que outros 56 trabalhadores de mídia teriam morrido no país, enquanto a causa da morte de 27 jornalistas ainda está sendo investigada.

As Filipinas aparecem em segundo lugar, com 76 óbitos no total. A Síria, o lugar mais letal para os comunicadores em 2013, é o terceiro mais perigoso desde que os registros do CPJ começaram em 1992, com 61 mortos. Completam a lista Argélia (60), Rússia (56), Paquistão (53), Somália (52), Colômbia (45), Índia (32) e México (29).

Balanço do ano de 2013

O ano de 2013 registrou a morte de pelo menos 70 jornalistas em todo o mundo, a maior parte na Síria, de acordo com o relatório. As mortes de outros 25 jornalistas ainda estão sendo investigados pelo CPJ para determinar se eram ou não relacionadas com o trabalho. Brasil foi o sétimo país mais violento com três mortes.

O documento aponta que “a Síria continua a ser o lugar mais mortal para jornalistas em 2013, enquanto o Iraque e Egito vêm registrando um aumento do número de mortes violentas”. No total, o Oriente Médio respondeu por dois terços das mortes de jornalistas no ano passado.

O CPJ adverte, no entanto, que estes números não demonstram todo o perigo para os jornalistas. De acordo com o Comitê, cerca de 60 jornalistas foram sequestrados pelo menos brevemente em 2013, com 30 profissionais ainda dados como desaparecidos no ano passado.

Na semana passada, o CPJ também anunciou que 2013 tinha sido o segundo pior ano da história para os jornalistas sendo presos com a Turquia, Irã e China respondendo por mais da metade de todos os jornalistas presos em todo o mundo no ano passado. Até o dia 1º de dezembro de 2013, 211 jornalistas haviam sido presos por seu trabalho, em comparação com 232 em 2012.

*Com informações do The Guardian e do CPJ. 

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