9 de agosto de 2022


Conselho da ABI endossa ação de impeachment


14/05/2020


Conselho Consultivo da ABI 

Nós, membros do Conselho Consultivo da ABI, endossamos da primeira à última linha o pedido de impeachment feito pela direção de nossa centenária casa que está em suas mãos.

É preciso barrar, enquanto é tempo, a indisfarçável sanha autoritária do presidente da República.

A cada dia que passa fica mais claro que, por meio de aproximações sucessivas, dois passos à frente, um passo atrás, o objetivo de Jair Bolsonaro é dinamitar a recente democracia brasileira.

Seu passado remoto o condena, suas práticas mais recentes não deixam margem à dúvida.

Todos nós, incrédulos, fechamos os olhos e ouvidos diante de suas ações e pronunciamentos desde os tempos em que saiu praticamente expulso do Exército.

Tratamos como folclore desprezível a atuação dele como deputado, suas provocações rasteiras, as homenagens à ditadura de 1964 e os elogios a torturadores.

Vimos seu desempenho na última campanha eleitoral como bizarrice, até que um atentado infame o transformou em vítima silenciosa e ardilosa e permitiu sua fuga dos debates.

Imaginamos que a responsabilidade do cargo lhe impusesse limites civilizatórios. Em vão!

Ao contrário, os democratas testemunham sucessivos ataques às instituições.

Violência contra a imprensa, ataques ao Congresso Nacional e seguidos atos de desrespeito ao STF.

Diante de terrível pandemia, ceifadora já de mais de dez mil vidas, o que se vê é a desobediência às orientações da OMS e do próprio Ministério da Saúde.

Não desconhecemos o incômodo de processo tão traumático como o do impeachment em momento de tragédia, quando a sensatez deveria determinar que todos os esforços teriam de ser concentrados na guerra contra o vírus.

Temos a clareza, contudo, de que a articulação política ora em curso, por parte do presidente da República, tem como objetivo mais que evitar o impedimento, mas somar forças para decretar o estado de sítio, a exemplo do já feito em outros países.

Daí o apoio irrestrito ao documento da direção de nossa casa.

Excelentíssimo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; que o espírito de seu bravo antecessor Ulysses Guimarães prevaleça nesta hora grave da nacionalidade:

NÓS TAMBÉM TEMOS NOJO DAS DITADURAS!

Membros do Conselho Consultivo da ABI – Ana Arruda Callado, Ancelmo Gois, José Augusto Ribeiro, Juca Kfouri, Nilson Lage e Paulo Totti

 

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