Combate à violência no Rio ganha reforços


26/11/2010


O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, concedeu entrevista na tarde desta sexta-feira, 26, no Rio de Janeiro, sobre o auxílio do Governo Federal no combate à violência no estado:
—Esse não é o momento de contornar riscos e sim de enfrentar riscos. Entendemos que havia necessidade de proteção de perímetro das forças estaduais e federais, de suprir essas deficiências de efetivo para a ocupação de áreas conflagradas que são definidas nessa esfera estadual. A operação, inicialmente do Governo federal, que era de apoio logístico, acaba se transformando em operação de garantia da lei e da ordem.
 
O Ministro falou à imprensa após a reunião da qual participaram o Governador Sérgio Cabral, o Vice-governador Luiz Fernando Pezão, o Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o Comandante do Exército, General Enzo Martins Peri, o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, General José Carlos de Nardi, o Senador e ex-secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, o Senador Francisco Dornelles, o Superintendente da Polícia Federal no Rio, Angelo Gioia, o Comandante do Comando Militar do Leste, General Adriano Pereira Júnior, o Comandante do 1º Distrito Naval, vice-almirante Carlos Augusto de Souza, o Comandante do 3º Comar, Major brigadeiro-do-ar Elcio Picchi, o Secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortes, e o Comandante do Corpo de Bombeiros, Pedro Machado.
 
O pedido de ajuda ao Rio de Janeiro foi feito pelo Governador Sérgio Cabral ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na quinta-feira, 25, em Georgetown, na Guaina, sublinhou seu apoio no combate à criminalidade:
—Eu disse ao Governador Sérgio Cabral que o que ele necessitar que o governo federal ajude, para que a gente possa permitir que as pessoas de bem vivam em paz neste país, vamos fazer. O Rio de Janeiro pode ficar tranquilo que nós estaremos 100% apoiando o governador e o povo do estado. 
 
A presidenta eleita Dilma Rousseff telefonou para o Governador Sérgio Cabral, nesta sexta-feira, 26, e prometeu auxiliá-lo quando assumir a Presidência. O Ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Paulo Vannuchi, lembrou a responsabilidade dos agentes de segurança na condução das ações de combate ao crime:
—Na hora em que há um ataque dessa proporção, a polícia tem que reagir sem, no entanto, deixar de se ver como defensora dos direitos humanos.
 
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados divulgou nota oficial, nesta sexta-feira, 26, alertando para o risco de as ações policiais de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro repetirem a operação no conjunto de favelas do Alemão, em 2007, que mobilizou 1,3 mil policiais e resultou na morte de cerca 20 pessoas em um único dia:
—Foram feitas atrocidades para nada. O tráfico aumentou lá, disse o Deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), membro da CDHM.
 
Operação
 
Apesar dos esforços da polícia, a violência prosseguiu no Rio de Janeiro pelo sexto dia consecutivo, quando pelo menos cinco veículos incendiados durante a madrugada, incluindo três carros de passeio, um ônibus e um furgão. Desde o início dos ataques, no domingo, 21, os números da Polícia Militar somam 96 veículos incendiados, 192 pessoas presas, 25 mortos e três policiais feridos, desde o início dos ataques, no domingo. 

Policiais federais, civis — da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) — e do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Estado (Bope), ocuparam a favela Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, auxiliados por fuzileiros navais e 800 homens do Exército — que cedeu dois helicópteros, dez veículos blindados — além dos seis da Marinha — equipamentos de comunicação e óculos para visão noturna. O objetivo da operação é interditar os acessos ao Morro do Alemão, para onde fugiram os criminosos, após a invasão da Vila Cruzeiro, na quinta-feira, 25. 

A cúpula da segurança pública do Rio confirmou que haverá operações no conjunto de favelas do Alemão, ainda sem data prevista.
A sociedade também se mobiliza contra a violência. O Disque-Denúncia bateu o recorde de ligações sobre um mesmo assunto com 1.001 chamados até as 22h30, desta quinta-feira, 25, informou o coordenador do serviço, Zeca Borges. Os moradores do conjunto de favelas do Alemão estenderam nas janelas lençóis e toalhas brancos como um pedido de paz na comunidade.

A série de ataques no Rio motivou o cancelamento ou adiamento de eventos culturais e esportivos na cidade. Uma série de shows marcados para sexta-feira, 26, e sábado, 27, na Marina da Glória, Zona Sul do Rio, foi adiado para março de 2011. De acordo com a empresa que promove o evento, a decisão foi tomada a fim de preservar o público e os fornecedores de eventuais contratempos causados pela violência que ronda o Rio, e o dinheiro dos ingressos serão devolvidos. 

O II Seminário de Educação da Maré, agendado para sábado, 27, também foi cancelado. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) suspendeu o processo seletivo que aconteceria neste domingo, 28.

As escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro, Rocinha, Unidos de Vila Isabel e Portela cancelaram os ensaios desta sexta-feira, 26. A Caprichosos de Pilares cancelou a festa de coroação da rainha da escola de samba e a tradicional feijoada que seriam realizadas neste sábado, 27. O Império Serrano transferiu a festa de coroação de sua rainha da bateria, que aconteceria neste sábado, 27,  para o dia 4 de dezembro.
Os jogos do campeonato estadual feminino de vôlei que seriam realizados na noite de quinta-feira, 25, foram adiados. Assim como as semifinais do estadual de futsal.

Fifa

Os episódios de violência registrados no Rio de Janeiro são destaque na imprensa nacional e internacional. Jornais, agências de notícias, sites, emissoras de rádio e de TV de diversos países noticiam os ataques.
 
Os norte-americanos The New York Times, The Washington Post, Los Angeles Times, Miami Herald, o britânico The Guardian, o argentino El Clarín, o espanhol El País, as redes BBC e Fox News, a TV árabe Al Jazira, a agência chinesa Xinhua, entre outros veículos de comunicação, publicaram reportagens, e repercutiram material das agências Reuters e Associated Press sobre as ações criminosas em diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro, que incluem mortes, bloqueio de estradas, assaltos, ataques contra delegacias, carros e ônibus.
 
A mídia internacional informa que os ataques estariam sendo praticados por grupos que desafiam a polícia em represália ao controle de favelas. Grande parte dos veículos, entre os quais, The New York Times, The Washington Post, Los Angeles Times, El País, TV Al Jazira, Xinhua e Reuters, demonstram preocupação com a segurança no País, às vésperas de sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Nesta sexta-feira, 26, em comunicado oficial obtido pela TV Globo, a gerente de mídia da Fifa, Delia Fischer, informou que as autoridades brasileiras já trabalham junto às principais agências de segurança do mundo, e também à Interpol, para o desenvolvimento do plano de segurança para a Copa do Mundo de 2014.

Segundo Delia Fischer, uma delegação composta por autoridades do país trabalhou em conjunto com membros do governo da África do Sul antes e durante o Mundial de 2010 para obter informações e conhecimento sobre a operação que envolveu o esquema de segurança da Copa do Mundo realizada naquele país. A gerente da Fifa afirma ainda que a entidade “confia totalmente que as autoridades brasileiras consigam desenvolver um plano eficiente de segurança para a Copa do Mundo de 2014.”
 
*Com informações de O Globo, G1, Terra, O Dia.
 
 
 

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