Cobertura do caso da NSA garante o Pulitzer ao Post e ao The Guardian


15/04/2014


O norte-americano The Washington Post e o britânico The Guardian venceram o prêmio Pulitzer na categoria serviço público pela cobertura do caso de espionagem envolvendo a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). O resultado do maior prêmio jornalístico foi anunciado na última segunda-feira, 14 de abril.

As reportagens foram produzidas a partir de milhares de documentos entregues pelo ex-técnico Edward Snowden. A cobertura mostrou que a NSA coletou informações de milhões de telefonemas e e-mails de americanos, calcada em leis antiterrorismo aprovadas após o atentado de 11 de setembro de 2001.

Em junho, o jornal britânico The Guardian publicou a primeira reportagem sobre os programas de espionagem, assinada pelo jornalista americano Glenn Greenwald, que posteriormente saiu do jornal e lançou um site onde prometeu divulgar mais novidades sobre o caso.

O The Washington Post também publicou dados entregues por Snowden, que detalham um programa de vigilância secreta que reunia equipes de inteligência da Microsoft, Facebook, Google e de outras empresas do Vale do Silício. Em outubro, o jornal complementou as denúncias, afirmando que a NSA invadiu em segredo links de comunicação que conectam data centers do Yahoo e do Google ao redor do mundo, e teve acesso assim a dados de centenas de milhares de contas de usuários.

Após os dois jornais realizarem as primeiras revelações, outras publicações de países como França, Alemanha e até mesmo o Brasil publicaram reportagens com mais vazamentos de Snowden. De acordo com as denúncias, líderes como a Presidente Dilma Rousseff e a chanceler alemã Angela Merkel também tiveram suas comunicações monitoradas pela NSA.

Outros vencedores

O Washington Post também levou outro prêmio por uma informação de Eli Saslow sobre as ajudas alimentares para as famílias mais desfavorecidas dos EUA. Na categoria de notícias de última hora, o júri premiou o jornal Boston Globe por sua cobertura dos atentados da maratona de Boston, destacando seu acompanhamento “exaustivo e com empatia” da tragédia, que aconteceu há um ano.

O prêmio de melhor informação internacional foi para Jason Szep e Andrew R.C. Marshall, da agência Reuters, pela cobertura da perseguição aos “rohingyas”, minoria muçulmana de Mianmar, enquanto na seção nacional David Philipps, do diário Gazette do Colorado (EUA), levou o prêmio por uma história sobre veteranos de guerra.

O New York Times foi outro dos vencedores, na categoria fotojornalismo, com dois prêmios para os fotógrafos Tyler Hicks e Josh Haner. O prêmio de jornalismo investigativo foi para o Center for Public Integrity por suas informações sobre como alguns advogados e médicos iniciaram um sistema para negar ajudas a mineradores doentes.

Os prêmios, criados em 1917 pelo editor de jornais Joseph Pulitzer (1847-1911), são especialmente valorizados nas categorias jornalísticas. Os premiados na categoria de serviço público recebem uma medalha de ouro por seu trabalho, e os outros premiados são reconhecidos com um prêmio de US$ 10 mil.

*Com informações do G1 e da AP.

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