Carta ao leitor na edição reformulada, em 1979


13/12/2007


“Como é difícil fazer uma revista de arte nestes tempos de crise econômica e pouca leitura! Como é difícil, principalmente, manter seu nível intelectual e artístico e o rigorismo filosófico que nossas convicções exigem!

Confesso que muitas vezes sentimos a conveniência de paralisá-la e aguardar, prudentes, outra oportunidade. Mas, no pequeno grupo que a elabora, Maria Luiza, Marcus, Sandra, Márcia, Vera, Cláudia, existe tanto entusiasmo que essa idéia nunca encontrou asilo em nossos corações. E imaginamos coisas paralelas que a pudessem promover no campo escasso do mercado editorial e do próprio pensamento, como os livros ‘Depoimentos’ publicados pela Avenir Editora, que de Módulo se ocupa corajosamente.

Não faltaram conselhos e advertências nos lembrando as vantagens de ficar nos assuntos de arquitetura e, dos mais alienados, de evitar os problemas políticos. Outros compreendiam melhor nossos objetivos: uma revista de arte, cultura e luta política. Com estes, vamos caminhando há vários anos, sem aceitar acomodações nem compromissos.

E de braços dados com Nelson Werneck Sodré, Ivan Alves, Carlos Drummond de Andrade, Renato Guimarães, Ferreira Gullar, João Saldanha, Jaguar, Ziraldo, todo pessoal do Pasquim, e agora, Tristão de Athayde e José Guilherme Mendes, continuamos tranqüilos a tarefa iniciada em 1955, interrompida em 64 e retornada em 75, com o mesmo entusiasmo.

Nessa luta permanente pela sobrevivência da revista e, seguindo conselho de Celso Japiassu e Francisco de Paula Freitas, Módulo se modifica: seu formato quadrado cede lugar às dimensões mais práticas e econômicas das principais revistas em circulação no País; seu corpo de colaboradores se multiplica, sua tiragem passa de 15 mil para 30 mil exemplares, e convênios com revistas estrangeiras se estabelecem, como o já fixado com L’Architecture d’Aujourd’hui, da França, criando intercâmbio interessante para os arquitetos dos dois países.

Estamos otimistas e interessados nos problemas da arte e da cultura, integrados na luta pela democracia, pela anistia e pelos direitos humanos que une e entusiasma nossos irmãos brasileiros.

Oscar Niemeyer.”

        

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