A maratona eleitoral dos jornalistas – Principal


29/09/2006


José Reinaldo Marques 

No próximo domingo, 1º de outubro, milhões eleitores brasileiros vão às urnas escolher os candidatos que irão ocupar a Presidência da República, a Câmara e o Senado Federal e as Assembléias Legislativas estaduais. Onde as eleições tiverem segundo turno, a movimentação irá se repetir e, em ambos os casos, acompanhando todos os detalhes dessa maratona eleitoral, estarão as equipes de reportagem da mídia do País.

Para executar esse trabalho, geralmente os veículos de comunicação são obrigados a mudar sua rotina, formar equipes especiais e até investir em equipamentos e transportes, como fizeram as sucursais da Folha de S. Paulo e do Estadão no Rio — além dos carros que foram providenciados para os deslocamentos dos jornalistas, ambos estão disponibilizando laptops para facilitar o trabalho dos repórteres. Já no jornal Estado do Amazonas, praticamente todo o pessoal da reportagem (cerca 45 pessoas) está envolvido na cobertura das eleições — e o número de profissionais deve aumentar no domingo.

Em tempos de eleição, a imprensa está alerta do início da votação à apuração final dos votos — e até a TV pública muda sua programação.

Treinamento 

                                 Fabiana Sobral

Em junho, a preparação dos jornalistas contou com o apoio do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro e da ABI, que ofereceram um curso de legislação eleitoral para os profissionais da mídia. Fabiana Sobral, editora de Política do Dia, achou importante ter essas aulas:
— Gostei muito do curso. Acho que foi um boa iniciativa do TRE e da ABI, porque é muito importante para o jornalista, especialmente o repórter, ter contato direto com as autoridades da Justiça eleitoral. Tomara que essa experiência se repita e toda a Redação do Dia possa participar, porque, em tempo de eleições, a Política é reforçada com repórteres de outras editorias.

O Dia não preparou um caderno especial sobre eleições, segundo Fabiana:

— Mas nossa cobertura vai ser ampla no jornal e no O Dia Online. Além disso, publicamos matérias sobre a disputa eleitoral no Rio e em outros estados e demos destaque às pesquisas de intenção de voto da população fluminense para o Governo do estado, Senado e Presidência da República.

Baptista Chagas

Analítico

Este ano, o Estado de Minas resolveu mudar o enfoque da sua cobertura eleitoral, como conta o editor de Política Baptista Chagas:
— Procuramos fazer um produto muito analítico, além de buscar os features interessantes. Tivemos a participação de quatro cientistas políticos da UFMG, com artigos quase diários avaliando o quadro eleitoral, em especial o nacional, e fazendo projeções. Este também será o foco da edição de domingo. Queremos sair da commodity, da notícia da internet e do telejornal da véspera e mostrar o algo mais que o leitor do impresso busca, a informação exclusiva, o caso interessante, a análise plural.

O Estado de Minas não programou nenhuma edição especial de eleições no fim de semana, mas nesta sexta-feira foi publicado um caderno de serviços de interesse do eleitor. Durante a campanha, Baptista Chagas não pôs setoristas acompanhando a agenda diária dos candidatos, preferindo a cobertura com base em pauta diária. E, nesta reta final, a editoria ganha o reforço de outras:
— São 14 repórteres envolvidos, e vale lembrar que trabalhamos em sinergia com o Correio Braziliense, o que nos dá vasto material nacional.

O jornal mineiro também tem seções especiais — como agenda dos candidatos, perfil, filiação partidária — na internet:
— O hotsite é uma grande parceria dos veículos do grupo. É conjunto entre o UAI (responsável pelo Estado de Minas) e o Correioweb (do grupo do Correio Braziliense). Eu mesmo gravo em vídeo, com a equipe da TV Alterosa, um comentário diário, para reforçar o aspecto multimídia do site.

Estratégia

                      Cláudio Barboza

Em Manaus, o Estado do Amazonas — que completa três anos em 24 de outubro — prepara um caderno especial de eleições para o domingo, quando o jornal tem sete cadernos — cinco de oito páginas e dois com quatro páginas, sendo capa e contra-capa coloridas:
— Nosso enfoque maior é o Amazonas, como o próprio nome do veículo sugere. Mas também teremos noticiário nacional e um caderno específico de oito páginas, com algumas teses sobre as eleições, a origem do voto e da democracia e outros temas — diz o editor-chefe Cláudio Barboza.

Para a cobertura, foi convocada praticamente toda equipe de Reportagem — cerca de 45 pessoas, entre repórteres, fotógrafos e editores, com o reforço das editorias de Cidade e Polícia, Nacional e Política. Apenas Esporte e Cultura ficaram de fora e a coordenação do trabalho está sendo feita por Cláudio:
— O Amazonas é muito grande e por isso foi preciso montar algumas estratégias para não perder matérias no interior, onde ainda não temos correspondentes. A solução neste caso, por exemplo, foi deslocar sete repórteres para os municípios maiores: Parintins, Manacapuru, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Maués e Coari. A cobertura dos outros 55, incluindo Manaus, foi dividida entre a base, na capital, e mais cinco repórteres, que monitoram informações do rádio e da internet.

Num estado em que não faltam áreas de difícil acesso, Cláudio diz que a ajuda da internet é inestimável:
— Com a informatização do Tribunal Regional Eleitoral, muita coisa melhorou. De qualquer modo, além do pessoal ao jornal, recrutamos mais umas 50 pessoas, de motoristas (com carros) para reforçar nossa frota, a técnicos de informática e estagiários de Jornalismo. 

     

O apoio das sucursais
Núcleo de Eleições na TV

    

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