14 de agosto de 2022


Violência policial afronta
a dignidade humana


13/01/2021


 

Por Alcyr Cavalcanti, membro da Comissão de Direitos Humanos da ABI

Atos de violência extremada têm se repetido diariamente contra moradores das favelas cariocas. A repressão policial tem usado velhas práticas de regimes ditatoriais em desrespeito aos mais elementares direitos de cidadania, inadmissíveis em um Estado que se diz democrático.

A escalada das ações violentas por parte de agentes das forças de segurança tem acontecido em um contexto em que algumas autoridades pregam o uso da força desproporcional, como única medida para resolver os graves problemas que afligem todo o Estado, em especial as mais de 950 favelas cariocas. De norte a sul da cidade o aparato repressivo tem atuado  com extrema violência como nos recentes casos do Morro Santa Marta e da operação policial no Morro do Alemão.

No Morro Santa Marta em Botafogo no início da semana, o fotojornalista Alexandre (Tandy) Firmino teve sua casa invadida por agentes policiais que arrombaram sua porta, após terem usado uma chave falsa para abrir seu portão. Para Alexandre “O pé na porta é uma prática recorrente e procedimento usual nas abordagens policiais”. No outro extremo, durante operação policial no Morro da Fazendinha, no Conjunto de Morros do Alemão o cinegrafista Renato Moura da “Voz das Comunidades” foi ameaçado e teve seu celular arrancado, jogado ao chão e pisado várias vezes pelo coturno do PM até ser destruído.

Os policiais disseram, na tentativa de justificar a atitude injustificável que  “Nós da Voz das Comunidades só falávamos mal da polícia”. René Silva o fundador do jornal “Voz”  prestou queixa na 22ª Delegacia Policial e exige que seu direito de informar seja sempre respeitado.

A mobilização de toda a sociedade pela defesa incondicional dos direitos fundamentais da pessoa humana cumpre um papel da maior relevância,  onde o exercício da livre manifestação de pensamento e o consequente direito à informação são conquistas irreversíveis, duramente conquistados e que os arautos da repressão a todo custo querem sepultar e trazer de volta o arbítrio, a dor  e a  violência para encobrir suas atitudes.

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