11 de agosto de 2022


Um ano sem o nosso amigo Waldir


27/05/2021


Em 23 de maio fez um ano da morte do Waldir, nosso amigo sempre lembrado, que por uns 40 anos foi funcionário do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio. Waldir Alves de Carvalho, uma das tantas vítimas da Covid-19, era o mensageiro do Sindicato. Leia Rogério Marques.

Uma de suas funções, acho que a que mais gostava, era levar jornais e boletins para as diversas redações, que hoje já não são tantas assim. Waldir era recebido com carinho pelos colegas, com abraços, era chamado para tomar um café, bater um papo. Como ele gostava desse contato! Em época de assembleias importantes, de negociações salariais, lembrava sempre a turma da importância de comparecer.

Waldir morava na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio, mas passou parte da infância em Botafogo, na Favela do Pasmado. Até que na década de 60 começaram as remoções de várias favelas da Zona Sul carioca. Era a política de jogar os pobres para longe, que vigorava desde os tempos da demolição do Morro do Castelo, berço do Rio, ainda na década de 20. E lá se foram o Waldir, sua família, milhares de pessoas para o outro lado da cidade, distante de tudo. Transporte difícil, uma viagem longa para chegar ao Centro do Rio, onde a maioria das populações daquelas favelas trabalhava.

A partir da década seguinte, dos anos 70, tudo piorou. A violência urbana começou a se alastrar por todo o Rio. Comunidades pobres, como a Vila Kennedy, foram as mais atingidas, porque embora muitos não percebam ou até mesmo neguem, esse tipo de violência tem a ver com uma outra, a violência da falta de bons serviços públicos — creches, colégios, hospitais, transportes.

Quantas vezes o Waldir chegou ao Sindicato depois de uma noite tensa, mal dormida, falando dos tiroteios que apavoravam aquela comunidade. Mas não se deixava abater. Daqui a pouco sua risada gostosa estava sendo ouvida nas salas do 17* andar do prédio da Rua Evaristo da Veiga, que por décadas foi a segunda casa do Waldir.

Ainda hoje, quando entro naquele prédio, tenho a sensação de que vou encontrar o Waldir, com seu andar apressado, chegando ou saindo com envelopes debaixo do braço, para as tarefas de cada dia. Que saudade o nosso amigo deixou, quanta saudade.

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