Trabalho apaixonante nas ondas do rádio


26/01/2006


    Sistema Globo de Rádio

   Começando o dia de trabalho

A carreira de Simone Lamin começou na Rádio Manchete, mas foi no Sistema Globo de Rádio, para onde se transferiu em seguida, que estreou na reportagem aérea, em 2002. Para a jornalista, a primeira decolagem de helicóptero foi “ao mesmo tempo excitante, assustadora e fascinante”.
— O que mais me impressionou foi a visão do Rio. Ver a cidade de outro ângulo é excepcional. A cada dia me apaixono mais por ela, apesar de seus inúmeros e crescentes problemas. Mas não escondo que fiquei totalmente assustada ao enxergar pela primeira vez aquele amontoado de concreto — viadutos, elevados, pontes, todos juntos, interligados — e não saber com precisão onde eu estava.

Por isso mesmo, ela acha fundamental o repórter-aéreo conhecer bem a cidade e seus pontos mais movimentados, ler muito sobre os acontecimentos do dia e ser ágil e ter boa memória para lembrar os nomes de todas as ruas por onde o helicóptero passou.

 Simone ao lado do piloto

Entre as compensações da função, Simone — que no momento cobre as férias do colega Genílson Araújo, titular das manhãs nas emissoras CBN, 98 FM e Globo AM — diz que ter uma visão ampla da cidade aumenta a gama de informações do profissional:
— Durante a cobertura do trânsito, posso, por exemplo, verificar a ocorrência de línguas negras nas praias e orientar os banhistas sobre a balneabilidade, identificar um incêndio, informar sobre as condições climáticas ou dar detalhes de uma rebelião num presídio. Enfim, a visão aérea permite ao repórter ampliar ainda mais os serviços aos ouvintes, um dos diferenciais do rádio e, certamente, o mais apaixonante.

Simone faz cerca de 20 entradas ao vivo diariamente e conta que a matéria mais difícil de sua carreira envolveu um pouso de emergência no aeroporto Santos Dumont:
— Foi num dia de turbulência e temporal. Outro aspecto que é dureza é estar ao vivo e, de repente, presenciar um acidente: a adrenalina sobe e temos que ter muito cuidado para não desconcentrar. Mas há também os momentos agradáveis da função. Um deles é passar pertinho dos pontos turísticos lindos que enfeitam a nossa cidade.

No meio do caos 

Carlos Eduardo Cardoso está na JB-FM há um ano e iniciou a carreira jornalística há 20, como estagiário da antiga rádio Manchete AM. Cobria então o setor de trânsito instalado numa central de táxi, pegando as informações enviadas pelos motoristas da cooperativa:
— Sempre tive vontade de voar de helicóptero. Portanto, não tive problemas para me adaptar à reportagem aérea. 

Como seus colegas, ele acha imprescindível para um repórter-aéreo ter boa memória, concentração e muita atenção ao que se observa do alto:
— Estas são as provas da função. Muitas vezes o caos no trânsito é tão grande que oferecer opção de circulação aos ouvintes torna-se o grande desafio. A maior gratificação é saber que é um serviço útil aos ouvintes, pois facilita seu trânsito pela cidade. Muitos amigos relatam experiências próprias e de conhecidos que ouvem as dicas e se livram de engarrafamentos. Isso torna nosso trabalho muito estimulante.

                   Carlos Eduardo, do JB-FM

O estímulo, aliás, vale também para a inspiração. Geraldo Nunes, um dos mais antigos repórteres-aéreos em atividade, com 28 anos de carreira, 16 dos quais na Eldorado paulista, tornou-se cronista de São Paulo devido à visão privilegiada que tem no trabalho diário. No programa “São Paulo de todos os tempos” (sábados, às 22h), apresenta histórias da cidade e entrevista personalidades, historiadores e pesquisadores.

Profissional ativo, também escreve para um site e uma revista especializada em trânsito e já publicou dois livros (“São Paulo de todos os tempos”, volumes 1 e 2). Mas não esconde a paixão pelo rádio e a reportagem aérea, iniciada em 1989:
— Na primeira vez que sobrevoei São Paulo, vi as grandes contradições da cidade: bairros chiques como o Morumbi, outros nem tanto como Paraisópolis, moradias irregulares que não são fiscalizadas à beira da represa de Guarapiranga… Descobri que a reportagem aérea é muito mais que informar as alternativas do trânsito. Isto é muito gratificante, mas temos também a oportunidade de observar a cidade como ela é e pensar como ela poderia ter sido, ou ainda pode vir a ser. 

Susto

Em 11 de novembro do ano passado, cumprindo sua rotina, que começa às cinco da manhã, Geraldo teve seu primeiro grande susto: devido a uma pane no helicóptero, o piloto teve que tentar fazer um pouso forçado na Marginal Pinheiros. Não deu certo, porque o motor já estava sem potência. Em nova manobra para acionar o lado direito do trem de pouso, o helicóptero tombou, bateu num carro e caiu embaixo da ponte Euzébio Matoso.

          Geraldo Nunes

Conforme relatou à imprensa no dia do acidente, após o choque o helicóptero  começou a vazar combustível — e a preocupação passou a ser o risco de uma explosão. O piloto, comandante Leonardo, conseguiu sair, mas o jornalista, portador de deficiência física provocada por poliomielite, teve dificuldades:
— Minha sorte foi que um senhor, chamado César, estava passando de carro pelo local, parou, me pegou por debaixo dos ombros e me puxou para fora da aeronave. 

O susto não afastou Geraldo do helicóptero, que lhe tem revelado “coisas que só existem em São Paulo”.
— Como o processo de reversão das águas do rio Pinheiros, que correm para trás quando encontram o Tietê. É bom saber que a cidade, ao contrário do que dizem, é muito bonita, principalmente vista de cima. Do alto, temos uma visão ampla e genérica. São Paulo é colorida, com muito verde, não tem só o cinza dos edifícios. Também não é somente um caminho reto: tem belas curvas desenhadas pelo curso do Tietê.

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