Polícia é responsável por 68% dos casos de violência contra jornalistas no RJ


Por Igor Waltz*

15/07/2014


Repórter do Terra fotografou o momento em que foi agredido por PMs (Crédito: Mauro Pimentel)

Repórter do Terra fotografou o momento em que foi agredido por PMs (Crédito: Mauro Pimentel)

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) divulgou nesta segunda-feira, 14 de julho, um balanço com o número de jornalistas e comunicadores agredidos na cidade desde maio de 2013. O relatório foi atualizado após o incidente do último domingo, dia 13, em que pelo menos 15 profissionais sofreram violências enquanto cobriam protestos contra a Copa do Mundo. De acordo com o documento, as forças de segurança pública são responsáveis por 68% dos casos.

Dos 105 casos registrados pelo Sindicato, 29% foram praticados por manifestantes e 3% ocorreram por outros, como seguranças e acusados de corrupção em reportagens. “Sabemos que que os números podem ser ainda maiores, dada a escassez de registros formais de agressões contra profissionais de imprensa e comunicadores”, disse o SJPMRJ por meio de nota.

Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre a Abertura e o Encerramento do Mundial, nos dias 12 de junho e 13 de julho, foram contabilizados 38 casos em todo o País de prisões, agressões e detenções envolvendo 36 profissionais da comunicação durante a cobertura de manifestações. O protesto de domingo no Rio de Janeiro teria concentrado o maior número de ocorrências.

Imagens do protesto

Um vídeo de dois minutos revela o momento em que o cinegrafista Jason O’Hara cai no chão enquanto um grupo de policiais passa por perto. Um dos PMs vem andando e chuta o rosto e equipamento do profissional, que fica sem entender a atitude. Pelo menos cinco militares acompanharam a ação do agressor e continuaram andando.

O filme tem um corte, mostra alguém sendo socorrido e, depois, um homem, identificado como Jay, dizendo que teve sua câmera GoPro roubada pelas autoridades. “Fui roubado por policiais. Eles estão aqui para me proteger, mas me roubaram”, disse.

Já o repórter fotográfico do Portal Terra, Mauro Pimentel conseguiu registrar quando PMs lançaram golpes com cassetete. Ele foi atingido por três policiais no rosto e na perna.

“Eles gritaram: ‘Para trás, para trás’, começaram a bater e jogaram o spray de pimenta. Só que eu estava de máscara e continuei fotografando. Foi quando um PM me deu um chute na perna esquerda. Outro policial me segurou e me empurrou para trás. Só vi o cassetete no meu rosto. O filtro quebrou e a máscara trincou, mas segurou bem a pancada. Se estivesse sem aquela máscara fechada e o capacete estaria, no mínimo, com o nariz quebrado”.

Pimentel informou que estava identificado como imprensa, usando capacete com adesivo do Portal Terra e crachá. “Não tinha como fazer confusão”, garantiu.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro condenou as agressões e afirmou que “o Estado brasileiro e o governo estadual do Rio de Janeiro ignoraram direitos individuais e coletivos de brasileiros e visitantes, assim como cassaram a liberdade de expressão e a de imprensa”. “Tais práticas de Estado caracterizam grave ofensa a nossa categoria e prejudicam a sociedade como um todo. Sem o respeito ao direito à informação, não há garantia de liberdade ou de democracia”, explicou a entidade em texto.

*Com informações do Comunique-se, SJPMRJ e Abraji. 

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