27 de setembro de 2022


Sempre em busca da alma do fato


06/05/2005


José Reinaldo Marques 
29/04/2005

Um dos mais destacados repórteres-fotográficos do País, cujo currículo inclui passagem como fotógrafo e editor pelos jornais O Globo, Última Hora — onde começou como laboratorista — e JB, Orlando Brito nasceu em Minas Gerais, em 1950, e chegou a Brasília antes mesmo de sua inauguração, iniciando lá sua carreira, aos 15 anos de idade.

Dono de um invejável portfolio, em que se encontram registrados alguns dos mais importantes episódios da política brasileira, Brito acha que há uma certa ansiedade dos colegas que fazem a atualmente cobertura do Congresso e do Palácio do Planalto:
— Fotógrafos que cobrem o Poder têm a preocupação de fazer retratos que se pareçam com cada momento da política. Eu, particularmente, sempre digo que uma foto jornalística deve ser a alma do fato que a gerou.

Ele diz ainda que a verdadeira função do fotojornalismo é narrar o fato com imagens, descrever para os leitores o desenrolar de um acontecimento, “cada qual com sua característica de narrativa: repórteres escolhem palavras, adjetivos, verbos; fotógrafos escolhem ângulos, objetivas, distâncias etc.”.

Mesmo com todos os “poréns”, Brito acha que o fotojornalismo no Brasil evoluiu muito, a ponto de ajudar a mudar o formato das publicações:
— Houve um tempo em que as fotografias, muitas vezes, eram usadas apenas para embelezar o trabalho de diagramadores e dar fama de leveza a alguns editores. Fotografias serviam para ilustrar textos; agora, textos ilustram fotos. O leitor também descobriu a objetividade de informar-se com imagens, gostou da precisão e da liberdade de aproximar-se dos acontecimentos através das fotos, que adquiriram linguagem própria. Hoje um jornal inteligente não pode prescindir da informação fotográfica.

Questionado sobre a foto mais marcante, Orlando Brito destaca o trabalho de um antigo colega e professor:
— Ainda me lembro do dia em que vi pela primeira vez a foto de Jânio Quadros com os pés trocados, feita em 1961 pelo Erno Schneider. Aliás, devo ao mestre Erno minha gratidão de aluno. 

Ícones

Autor das imagens que se tornaram ícones da imprensa na revista Veja — onde trabalhou de 1982 a 1998 e produziu 113 capas —, dirigiu por três anos a sucursal de Caras em Brasília, onde atualmente mantém a agência de fotonotícias Obrito News.

Colecionador de troféus, Orlando Brito ganhou o World Press Photo do Museu Van Gogh, de Amsterdã, em 1979; dez vezes o Prêmio Abril de Fotografia; e os Prêmios de Aquisição da Primeira Bienal de Fotografia do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e da Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, além da Bolsa de Fotografia da Fundação Vitae, em 1991. Autor de três livros — “Perfil do poder”, “Senhoras e senhores” e “Poder, glória e solidão” —, tem fotos publicadas também na Coleção Pirelli, do MASP, no acervo próprio do museu e em várias galerias de arte brasileiras. No exterior, teve trabalhos exibidos numa mostra no Museu Georges Pompidou, em Paris, no projeto Brèsil des Bresiliens. 

Clique nas imagens para ampliá-las: 

“Com o projeto Diretas…”

“Em 1986, disse ao Presidente…”

“Numa festa militar em Osório…”

“Campanha presidencial de 2002…”

“Em 1970, durante o Festival…”

“Num almoço, Ernesto…”

“Com praticamente toda a…”

“Em meados do segundo mandado…”

“Em 25 de abril de 1984…”

“Fernando Collor era candidato…”

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