30 de setembro de 2022


O testemunho do trágico e do belo


28/03/2006


Rodrigo Caixeta
07/04/2006

“Flagrante do colega Rubber, num momento em que eu fotografava e, ao mesmo tempo, falava ao telefone”

No dia 1º de abril, Gemerson Dias foi o fotógrafo mais premiado no II Circuito Sul-Brasileiro de Arte Fotográfica, conquistando seis medalhas — uma de ouro, duas de prata e três de bronze —, além de cinco menções honrosas. Seu primeiro contato com uma câmera fotográfica ocorreu na infância: um “caixotinho” — ou box — que pertencia a uma vizinha. Ele ficou encantado com a imagem refletida no visor horizontal e vertical daquela caixinha mágica, mas só aos 20 anos concretizou o sonho de comprar a primeira câmera, uma Beautycord binocular reflex 120 formato 6×6:
— Saí da loja com um filme colocado pelo próprio vendedor, que me passou uma rápida informação sobre enquadramento e foco. Logo no primeiro filme consegui uma bela foto. A partir daí, todo meu salário era gasto em fotografia. 

Na década de 60, Gemerson e um amigo, também fotógrafo, abriram a Agência King de Fotografia, em Madureira. Eventos sociais de clubes esportivos, do Rotary e do Lions e de escolas de samba, para publicação em jornais e revistas do bairro, lotavam a agenda. Segundo ele, alguns trabalhos chegaram a sair em veículos como a Última Hora e Correio da Manhã. Desde então, não parou mais de registrar imagens do cotidiano:
— Tive uma foto publicada na primeira página do Dia, em 10 de janeiro deste ano, sob o título “Baleados no quarteirão da polícia”. 

Nos 50 anos que dedicou ao funcionalismo público, na área de perícia criminal, Gemerson não parou de fotografar e, durante oito anos, também foi professor da cadeira de Fotografia Policial da Academia de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Quanto ao clique certeiro, faz uma comparação à prática de tiro — “o fotógrafo deve selecionar o alvo, ajustar sua ‘arma’ (zoom, velocidade, diafragma e foco), fazer o enquadramento e apertar o gatilho.” E vê com entusiasmo o advento das câmeras digitais:
— Apesar da resistência de grandes colegas, a câmera digital está contribuindo para a popularização da fotografia, e em pouco tempo teremos novos e excelentes profissionais. O enquadramento e o corte, antes conseguidos na imagem projetada pelo ampliador, são feitos da mesma forma na tela do computador, com o auxílio do Photoshop ou programa similar. Para quem gosta de processos como solarização, separação de tons e montagem, não há limites para a imaginação e a execução. E o computador não faz nada sozinho. 

Relembrando grandes momentos, ele diz:
— Considero um marco na minha atividade como repórter-fotográfico o dia 12 de julho de 63, quando o então Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, inaugurou a sede da 14ª Região Administrativa em Irajá. Tive quatro fotos deste evento publicadas no jornal A Noite.

Outro momento inesquecível é do tempo em que era fotógrafo oficial do Irajá Atlético Clube. Um dia, tinha apenas um filme com 12 poses para registrar a apresentação do palhaço Carequinha. Enquanto as crianças aguardavam impacientes, subiu ao palco um garoto franzino, que não foi sequer apresentado, subiu ao palco com seu violão:
— Ele apoiou um dos pés numa velha cadeira e cantou duas ou três músicas que ninguém conhecia, enquanto alguns diretores conversavam de costas para ele. Para aliviar o vexame, fiz uma única foto, quase no fim da apresentação, encerrada sem qualquer aplauso. Do jeito que o cantor chegou, saiu, sozinho e no anonimato. Em 17 de abril de 2001, esta cena foi publicada com a legenda “Foto da misericórdia”, ocupando meia página numa série especial do Dia, com o título “Tudo vai ser diferente, super Roberto Carlos 60 anos de emoções”.

Atualmente, Gemerson desenvolve o projeto “Mundo sem fronteiras”, em cujo site (www.mundosemfronteiras.com) disponibiliza, entre outras coisas, dicas sobre fotografia digital e para quem tem medo de uma ferramenta indispensável a ela: o computador. Para os interessados em fotojornalismo, aconselha:
— Aceite todas as críticas com reservas. Não jogue fora suas fotos porque alguém não gostou. O importante é você gostar. A câmera é a sua identidade, não saia de casa sem ela. Eu sempre escrevo em meus trabalhos a seguinte frase: fotografar é congelar o tempo, perpetuando o trágico ou o belo de tudo que nossos olhos por alguns momentos testemunharam. 
 

                                     Clique nas imagens para ampliá-las: 

“Foto dos 
anos 70, uma 
das cenas…”

“Flagrante
de um tipo
raro de…”

“Enquanto
o barco permanece…”

“Este é 
um festival 
de cores…”

“Esta é uma ponte que 
não vai a…”

“Cena retratada
na Praça…”

“O efeito desta imagem foi 
puro acaso…”

“Este é 
um tributo
a Oscar…”

“Foi feita uma iluminação especial…”

“Um cantor desconhecido tentou…”

“Homenagem
à conquista da Copa de…”

“Um clique feito ao acaso. O sol da…”

Siga a abi

© 2013 ABI - Associação Brasileira de Imprensa – todos os direitos reservados -Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Centro, Rio de Janeiro - RJ, Cep: 20030-012