O olhar sempre atento para o imprevisível


10/04/2006


Claudio Carneiro e Rodrigo Caixeta
20/04/2006  

Ana Colla

O repórter-fotográfico Campanela Neto, que morreu em 28 de fevereiro, aos 75 anos, ficou conhecido em todo o País pela foto que fez da rendição de um grupo de militares rebeldes da Aeronáutica que conspiravam contra o governo do Presidente Juscelino Kubitschek, em 1959. Furo de repercussão nacional na época, a foto foi feita em Aragarças — hoje município pertencente ao estado de Tocantins — para onde os rebeldes se deslocaram na tentativa de organizar o levante, logo desmantelado pelo Exército.

Documento histórico, a foto que documenta a rendição dos insurgentes mereceu voto de louvor do Prêmio Esso em 1960, quando ainda não existia distinção específica para fotografia. Reconhecendo a lacuna, os responsáveis pela premiação criaram a nova categoria no ano seguinte — assim, apesar de nunca ter recebido o troféu, Campanela ficou conhecido como o pai do Prêmio Esso de Fotojornalismo.

Francisco Campanela Neto começou muito jovem no jornalismo-fotográfico, em meados dos anos 40, em São Paulo. Mais tarde, mudou-se para o Rio, onde trabalhou no jornal A Noite, no Jornal do Brasil e na revista Mundo Ilustrado.

Fotógrafo do JB desde 1972, Evandro Teixeira conheceu bem o colega:
— O Alberto Ferreira foi o editor de Fotografia e o Campanela, o subchefe por mais de 20 anos. Ele era da velha guarda, um profissional que respeitava e valorizava o trabalho dos colegas. Tenho grande estima por ele.

Viúva do fotógrafo, Dona Ruth Campanela — sobrenome que ela ressalta ostentar com muita honra — ainda guarda diversas pastas com imagens registradas pelo marido, que conheceu na época em que ele era subeditor de Fotografia do JB e ela trabalhava na Assessoria de Comunicação do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj). Dos 27 anos de casamento, ficaram também a admiração pelo homem e pelo profissional:
— Trabalhei com vários profissionais da área, mas nunca vi um caráter tão admirável. Ele era amigo dos amigos. Além disso, apesar da pouca instrução, tinha uma cultura vasta que não encontrei em mais ninguém.

Antônio Nery, veterano com passagem pelas revistas Manchete, Fatos e Fotos e Jóia e pelos jornais Última Hora, O Dia, Folha da Tarde, Folha de São Paulo e O Globo, conta que foi Campanela quem revelou seu primeiro filme como repórter profissional:
— O ano era 1956. Fiz uma foto da Dalva de Oliveira cantando no auditório da Rádio Tupi, durante o programa do Carlos Frias. Mas não tinha onde revelar. O Campanela revelou o filme para mim e, daí, surgiu a amizade. Curiosamente, nunca trabalhamos juntos, pois, logo em seguida, ele foi para o JB, onde atuou por muitos anos.

Em dezembro do ano passado, Campanela foi homenageado com uma placa de prata na abertura da exposição fotográfica em comemoração ao 50º aniversário do Prêmio Esso, realizada no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio. Depois, na festa de premiação, ele foi escolhido para fazer a entrega do Prêmio Esso de Fotojornalismo 2005 ao vencedor, Evandro Monteiro, autor do trabalho intitulado “Guerra no Centro”. Na ocasião, falou sobre o episódio de Aragarças:
— Esta aventura está entre as melhores recordações da minha vida e a criação do Prêmio Esso foi um grande reconhecimento ao meu trabalho. De vez em quando, acordo à noite pensando naqueles momentos e confesso que ainda sinto arrepios. Foi naquele vôo que testemunhei talvez o primeiro seqüestro de avião de passageiros do mundo. Estávamos em pleno vôo, quando os militares rebeldes tomaram de assalto o avião, desviando-o para Aragarças. Graças à minha habilidade e calma, consegui registrar diversos flagrantes da rebelião até a rendição dos rebeldes.

 Clique nas imagens para ampliá-las:   

Equipe da Copa de 58. Em cima, da esquerda…

Ainda na Copa de 58, a concentração…

Fidel Castro visitou Brasília…

O Ministro
da Guerra, General…

Primeira apresentação do cantor…

Esta foto
tem o título ‘Acontecimentos…

Na premiação
do ano passado…

A câmera de Campanela registrou…

A cidade histórica mineira…

Campanela registrou a construção…

 

 

                    

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