Sérgio Machado: um homem que amava os livros


Por Claudia Sanches

21/07/2016


BANNER-Sergio-Machado3_destO economista Sergio Machado, que presidia o grupo Editorial Record, morreu na noite de terça (19) aos 68 anos, em razão de complicações de uma cirurgia a que se submeteu em novembro de 2015. Ele foi enterrado no Cemitério do Caju.

Segundo sua irmã Sônia Machado Jardim, Sérgio cumpriu uma grande missão. “Ele deixou um legado: a valorização dos nossos autores que é o maior patrimônio do Grupo Record”.

Economista de formação, ele deixou o emprego na Vale do Rio Doce aos 24 anos para trabalhar na empresa fundada pelo pai, Alfredo, e pelo tio, Décio. Assumiu a presidência do grupo em 1991, promoveu a compra de editoras e criou novos selos para diversificar o catálogo da empresa.

A notícia da morte de Sérgio surpreendeu os amigos e autores da casa.

Domingos Meirelles, Presidente da ABI:

“Culto, sensível, talentoso, dono de extraordinário refinamento intelectual, Sérgio Machado, com uma ousadia empresarial incomum, transformou a Record no maior grupo editorial do Brasil. Sérgio tinha olhos de lince. Era capaz de identificar talentos onde a maioria dos editores não enxergava. Um dos seus maiores méritos foi privilegiar os livros de reportagem ao perceber a importância do trabalho jornalístico no processo de resgate da história contemporânea. A sua contribuição, sob esse aspecto, foi extraordinária, apesar de sua formação como economista. Sérgio tinha especial carinho pelos livros de reportagem, cujos autores encontravam nele sempre um grande incentivador, além de um fiel amigo e leitor voraz. Ele vai deixar saudades. Mas onde quer que esteja, para alegria de todos nós, estará sempre com um livro-reportagem nas mãos”.

Audálio Dantas, escritor e jornalista e Membro da Comissão de Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo:

“A perda de Sérgio é inestimável, tanto para parentes, amigos e autores, quanto para a sociedade brasileira. Ele foi o editor moderno que prestigiou o autor brasileiro e teve atuação importante no crescimento da editora. Além dos clássicos, ele passou a lançar uma grande quantidade de autores brasileiros não conhecidos do público. O Sérgio se entusiasmou muito com meu livro “As duas guerras de Vlado Herzog” e disse que iria investir. Só na primeira edição foram lançados 10 mil exemplares”.

Carlos Amorim, escritor e jornalista:

“Além da relação de parceria no trabalho, Sérgio era uma pessoa de uma humildade incrível com quem mantive uma amizade muito especial. Ele tinha uma lista longa de livros publicados por jornalistas. Ele possuía uma sensibilidade para perceber como o jornalismo, de certa forma, pode reescrever a história do Brasil. Foi uma grande perda porque ele sempre foi um empresário com uma visão humanística muito forte. Ele colecionou tanto autores quanto grandes amigos em sua trajetória”.

Anna Lee, jornalista, roteirista e escritora:

“A presença do Sérgio foi muito importante na minha vida profissional. O mercado editorial brasileiro deve muito ao Sérgio diante da resistência que enfrentou com as empresas estrangeiras e transformou a Record no colosso editorial que ela é nos dias de hoje. Ele soube apostar na literatura infanto-juvenil. Eu mesma escrevi uma série de cinco livros destinados a esse público que tiveram grande sucesso graças à sensibilidade do Sérgio Machado”.

Celeste Vasconcellos, editora e assessora de imprensa:

“Lastimo muito a perda precoce de Sérgio Machado. Ele ainda tinha muitos projetos para o mercado editorial brasileiro. Sérgio transformou uma empresa familiar em um império editorial. Com sua visão sensível, editava, desde Gabriel Garcia Marquez, clássicos, pensadores europeus e obras de grande sucesso de venda como Danielle Still”.

Um homem de negócios que amava os livros

Com Sérgio Machado, a Record passou a apostar de forma mais significativa na literatura comercial, mas não deixando de valorizar os “long-sellers” (livros que não vendem muito, mas vendem sempre). O Grupo Record, ao longo de sua gestão, acumulou selos de prestígio, como a Civilização Brasileira e a José Olympio. Com essas aquisições, ele transformou a empresa da família em um dos maiores grupos editorias da América Latina.

Conhecido pelo tino comercial, Machado seguiu o caminho do pai ao valorizar também a literatura de entretenimento. Na Editora Record, títulos de apelo comercial conviveram com clássicos literários, como Gabriel García Marquez, Rachel de Queiroz, Harper Lee entre outros.  

Sérgio deixa a mulher, Maria do Carmo, três filhas e três netos. Roberta e Rafaella, filhas do editor, comandam o selo Galera Record, destinado a publicações infanto-juvenis.

Uma chama que se foi

A notícia da morte do presidente do grupo editorial Record, Sergio Machado, de 68 anos, pegou de surpresa os amigos e colegas do mercado editorial, que esperavam por sua recuperação. Ele estava internado em função de complicações sofridas em consequência de uma cirurgia para retirada de um tumor na meninge.

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