Márcio Bueno – Em busca do vocabulário jovem


22/05/2006


Rodrigo Caixeta
26/05/06

Inspirado pela habilidade de escrever, o jornalista Márcio Bueno decidiu publicar um novo livro, “A origem das palavras para crianças e jovens curiosos”, lançado nesta segunda-feira, dia 5, no Rio de Janeiro. Como sempre se interessou por etimologia, Márcio começou, em 1995, uma pesquisa sistemática para reunir verbetes que comporiam sua obra, mas sem deixar o jornalismo de lado. Foi daí que estreou como escritor, com “A origem curiosa das palavras”, publicado em 2003 e atualmente em sua quinta edição.  

No novo livro, o autor trata dos principais verbetes que fazem parte do universo infanto-juvenil atual, como bug, deletar, rap, azarar e nerd. Segundo Márcio, a idéia de produzir o segundo livro partiu de Ziraldo, que acreditava que uma publicação voltada para os jovens poderia estimular a leitura nesse público. Passou, então, oito meses selecionando as palavras que integrariam a obra, muitas das quais ganharam ilustrações e explicações que vão além da etimologia:
— No verbete asa-delta, por exemplo, conto como surgiu o aparelho, quem o desenvolveu etc.

Sobre a tendência dos jovens de consumir informação pelas ondas da TV, o jornalista é incisivo:
— A linguagem visual é mais uma forma de comunicação. Não se pode abandonar a leitura, que tem aspectos insubstituíveis. Um talento como Ziraldo, cartunista e criador do Menino Maluquinho, que obviamente trabalha com imagens, é um defensor incansável da leitura. Ele diz, muito apropriadamente, que ler é mais importante do que estudar.

Sobre usar em seu novo livro uma narrativa voltada para o público jovem, Márcio diz que “é fácil escrever complicado e muito difícil escrever simples”:
— Mas é um esforço que faço no meu dia-a-dia de jornalista, especialmente tendo trabalhado anos e anos em televisão, em que o texto tem que ser o mais claro possível.

Segundo Márcio, todos os verbetes do novo livro estão entre aqueles cujas origem e evolução têm o dom de despertar o interesse do leitor por serem instigantes, engraçados ou curiosos:
— São mais ou menos 400 palavras. Procurei substituir aquelas que julgava não interessar ao universo infanto-juvenil por outras do seu interesse, especialmente dos campos da informática e dos esportes.

Na apresentação do livro, o autor faz um resumo da história da língua latina e das línguas neolatinas, especialmente do português, já que o idioma é o nosso principal instrumento de comunicação:
— Julgo ser muito importante saber de onde vêm não apenas as palavras que usamos, mas a nossa própria língua e como ela se relaciona com as demais. Conhecendo essa história, aprende-se a gostar das palavras e da leitura. E é lendo que o indivíduo pode conhecer profundamente a realidade e a si próprio, tornando-se apto a mudar tudo para melhor.

Início 

Márcio começou no jornalismo em 1976, por motivação política. Estreou no Movimento, jornal de oposição à ditadura militar, que, segundo ele, reunia de expoentes de esquerda a empresários nacionalistas. Em seguida, foi trabalhar no Jornal do Commercio, de onde saiu para ser repórter da Band. Passou ainda pelo SBT — então TVS —, Rede Manchete e TV Globo, como editor nacional do “Jornal da Globo” e do “Hoje”. 

Depois, foi para O Globo como editor-adjunto de Nacional, que englobava as editorias Política e Geral. Voltou para a televisão na TVE e teve outra passagem pela Manchete até, em 1999, ir para o Chile, onde escrevia para a revista América Economía, publicação temática latino-americana.

Nascido em Muzambinho, no Sul de Minas Gerais, Márcio estudou na Universidade de São Paulo e há mais de 20 anos está radicado no Rio de Janeiro. É também co-autor do livro “20 anos de resistência — As alternativas da cultura no regime militar”.

 

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