Cale a boca, Jornalista! mostra período violento


Por Edir Lima

02/12/2015


Caleabocajornalista

A relação nem um pouco amistosa, recheada de episódios agressivos de chefes do Executivo com a imprensa, é contada no livro ‘Cale a boca, Jornalista!’, de Fernando Jorge. O autor foi vítima dos atos arbitrários da revolução de 1964, apenas por ter denunciado a existência do preconceito racial no Brasil. Ele doou 15 livros para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

O livro registra a violência e as arbitrariedades sofridas pelos jornalistas brasileiros, desde a época do Império até os dias atuais, com ênfase para o período do regime implantado em 1964. O autor, agraciado com o Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, também já ganhou o Prêmio Clio, da Academia Paulistana de História, pela obra “Getúlio Vargas e o seu Tempo”. Fernando Jorge, escritor e jornalista, recebeu a medalha de Koeler, em 1957, pelos grandes serviços prestados à cultura brasileira.

O autor derruba vários mitos e revela ações omitidas pelos livros de História do Brasil. Todo o conteúdo é documentado. Episódios que chamam a atenção, como de José Bonifácio, o patriarca da Independência, que agia como um chefe de cangaceiros; de Marechal Deodoro da Fonseca, o proclamador da República, que apoiou o empastelamento do jornal A Tribuna.

Revelações que chamam a atenção, como a do presidente Artur Bernardes, que mandou encarcerar um jornalista por longos meses, sem processo nem culpa formada. Após tentar suborná-lo, cometeu um crime de genocídio, ao autorizar o bombardeio de São Paulo, em 1924, causando a morte de dezenas de idosos, mulheres e crianças.

Outros fatos que também são destaques: a agressão, com socos, de Leonel Brizola a David Nasser, um homem gravemente enfermo; o pulo de Newton Cruz em cima do repórter Honório Dantas; as “torturas apocalípticas durante o governo Médici; entre outros.

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