Fotógrafo baleado no olho é culpado por acidente


20/08/2016


Foto: Folha de S.Paulo

Foto: Folha de S.Paulo

A Folha de S.Paulo publicou, no último dia 17, que o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido de indenização do fotógrafo Sérgio Silva, que perdeu a visão em um olho após ser atingido por uma bala de borracha da PM durante um protesto em junho de 2013, em São Paulo, conhecida como ‘Manifestação dos 20 centavos’,  que surgiu para contestar os aumentos nas tarifas de transporte público e se espalhou por todo o país.

O jornal destacou que Silva entrou com uma ação pedindo uma indenização do estado de São Paulo no valor de R$ 1,2 milhão, além de uma pensão mensal e reembolso por despesas médicas.

Segundo decisão do juiz Olavo Zampol Júnior, proferida na última quarta (10), o repórter seria culpado por ter se ferido, já que se colocou “em situação de risco” ao se posicionar entre a polícia e manifestantes para fotografar a manifestação.

O acidente aconteceu no protesto de 13 de junho de 2013, quando 15 jornalistas se feriram, sete deles da Folha de S.Paulo. O comandante da PM Benedito Meira se pronunciou, na época, dizendo que ferimentos são parte “do risco da profissão”.

O texto acrescenta que , após o acidente, Silva tornou-se protagonista de campanhas contra a violência policial. Em 2014, a ONG Anistia Internacional cobrou do Estado reparação ao fotógrafo.

No mesmo ano, Silva se reuniu com o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, para entregar uma petição requerendo o fim das bombas de efeito moral e balas de borracha em manifestações.

Outro caso

Em 2014, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia chegado a uma decisão semelhante no caso do fotógrafo Alex Silveira, atingido no olho em uma manifestação na avenida Paulista, em 2000. Na época, ele trabalhava no jornal “Agora São Paulo”, do Grupo Folha.

Silveira conseguiu a indenização em primeira instância, mas perdeu a causa após o Estado recorrer. A Justiça considerou que o jornalista “colocou-se em quadro no qual se pode afirmar ser dele a culpa exclusiva do lamentável episódio do qual foi vítima”.

Em resposta, fotógrafos protestaram contra a decisão, posando com um tapa olho em redes sociais. A decisão foi criticada pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e outras entidades.